Na norma-padrão, o correto é “isso é para eu fazer”, porque o pronome eu funciona como sujeito do verbo fazer. A forma mim deve ser empregada quando o pronome exerce função de complemento, como em “isso é para mim”. Para resolver essa dúvida, não basta observar se existe uma preposição antes do pronome: é necessário descobrir quem pratica a ação indicada pelo verbo no infinitivo.
Qual é a alternativa correta?
A questão apresenta quatro construções com os pronomes eu e mim. A alternativa que está de acordo com a norma-padrão é a letra B:
B) Isso é para eu fazer.
Nessa frase, o pronome eu indica a pessoa que realizará a ação de fazer. Portanto, ele funciona como sujeito do verbo no infinitivo e deve aparecer na forma reta. [1] [2]
Quem fará isso?
Eu farei.
Logo: isso é para eu fazer.
A expressão para mim fazer é frequente na oralidade brasileira, mas não é a construção recomendada em textos formais, redações escolares, vestibulares e concursos quando mim representa quem realiza a ação. [3]
Qual é a diferença entre “eu” e “mim”?
Eu e mim são formas do pronome pessoal de primeira pessoa do singular. A diferença entre elas está principalmente na função sintática que exercem.
Pronome eu
Eu é um pronome pessoal do caso reto. Sua função mais característica é a de sujeito.
Eu farei o trabalho.
O trabalho é para eu fazer.
Pronome mim
Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico. Normalmente aparece depois de uma preposição e exerce função de complemento.
O presente é para mim.
Ela falou de mim.
MIM → complemento Essa oposição funcional é mais importante do que a posição ocupada pelo pronome.
A regra não deve ser reduzida a “depois de preposição, sempre se usa mim”. Em para eu fazer, a preposição para introduz uma oração cujo sujeito é eu.
Por que se usa “eu” depois da preposição “para”?
Muitas pessoas aprendem que os pronomes oblíquos devem aparecer depois de preposições. Essa orientação é útil em construções como:
Este livro é para mim.
Ela trouxe o documento para mim.
Ninguém falou sobre mim.
Isso aconteceu entre mim e você.
No entanto, em para eu fazer, a preposição não está ligando diretamente o pronome ao verbo anterior. Ela introduz toda a sequência eu fazer.
O pronome reto pode, portanto, aparecer depois de uma preposição quando essa preposição introduz uma oração e o pronome exerce a função de sujeito. [1]
Como analisar a frase “isso é para eu fazer”?
A oração pode ser analisada por meio de uma pergunta simples: quem realizará a ação de fazer?
Isso é para eu fazer.
Quem fará isso? Eu.
Como eu é quem pratica a ação, o pronome é o sujeito de fazer. A estrutura pode ser representada assim:
O verbo fazer está no infinitivo. Na primeira pessoa do singular, o infinitivo não recebe uma terminação diferente, mas pode apresentar um sujeito explícito:
É melhor eu esperar.
Ela trouxe o livro para eu estudar.
Faltam alguns detalhes para eu concluir o texto.
O professor deixou uma atividade para eu resolver.
Quando usar “para mim”?
Usa-se para mim quando o pronome funciona como complemento, destinatário, beneficiário ou referência de uma ideia, sem exercer a função de sujeito do verbo seguinte.
Este presente é para mim.
Ela comprou um livro para mim.
A decisão foi importante para mim.
O resultado não representa surpresa para mim.
Para mim, a questão está mal formulada.
No último exemplo, para mim equivale aproximadamente a na minha opinião ou do meu ponto de vista.
Teste prático: retire o verbo no infinitivo. Se a construção permanecer completa — “isto é para mim” — o pronome exerce função de complemento.
Outros exemplos com pronomes oblíquos tônicos:
| Preposição | Exemplo |
|---|---|
| Para | O recado é para mim. |
| De | Ela se lembrou de mim. |
| Por | O documento foi assinado por mim. |
| Sem | Eles viajaram sem mim. |
| Entre | Isso deve permanecer entre mim e você. |
Quando usar “para eu”?
Emprega-se para eu quando o pronome eu funciona como sujeito de um verbo no infinitivo.
Ela trouxe o livro para eu ler.
Reserve um horário para eu apresentar o projeto.
Ele deixou os documentos para eu revisar.
Faça silêncio para eu conseguir estudar.
A professora explicou novamente para eu compreender.
Em todos os exemplos, o pronome representa quem executa a ação do infinitivo:
| Construção | Quem pratica a ação? | Forma usada |
|---|---|---|
| Para eu ler | Eu leio | Pronome reto |
| Para eu apresentar | Eu apresento | Pronome reto |
| Para eu revisar | Eu reviso | Pronome reto |
| Para eu compreender | Eu compreendo | Pronome reto |
“Mim não faz”: a dica é útil, mas não explica tudo
A frase popular “mim não faz nada” ajuda a lembrar que o pronome oblíquo mim não deve ser empregado como sujeito:
Inadequado: Isso é para mim fazer.
Adequado: Isso é para eu fazer.
Entretanto, não é correto afirmar que mim jamais pode aparecer antes de um verbo no infinitivo. O que importa é verificar se ele realmente funciona como sujeito.
É difícil para mim fazer isso sozinho.
É uma satisfação para mim estar aqui.
Nessas construções, uma análise possível considera para mim complemento de difícil ou de satisfação. A oração no infinitivo pode ser deslocada:
Fazer isso sozinho é difícil para mim.
Estar aqui é uma satisfação para mim.
Percebe-se que mim não está praticando diretamente a ação verbal. Por isso, sua presença antes do infinitivo não constitui, por si só, um erro. [4]
Em questões de prova, não aplique mecanicamente a regra “antes de infinitivo, sempre eu”. Primeiro identifique se o pronome é realmente sujeito do infinitivo.
Compare estruturas aparentemente semelhantes
| Frase | Função do pronome | Análise |
|---|---|---|
| Isso é para eu fazer. | Sujeito de fazer | Quem faz sou eu. |
| Isso é para mim. | Complemento | Indica o destinatário. |
| É difícil para mim fazer isso. | Complemento de difícil | Fazer isso é difícil para mim. |
| Ela pediu para eu fazer isso. | Sujeito de fazer | Eu realizarei a ação. |
| Ela entregou isso para mim. | Complemento | Eu sou o destinatário. |
Como funciona com outros pronomes?
A mesma lógica pode ser observada com outras pessoas gramaticais. Quando o pronome é sujeito do infinitivo, usam-se as formas próprias da função de sujeito.
| Pessoa | Construção | Exemplo |
|---|---|---|
| Eu | Para eu fazer | O exercício é para eu fazer. |
| Tu | Para tu fazeres | O exercício é para tu fazeres. |
| Ele ou ela | Para ele ou ela fazer | O exercício é para ela fazer. |
| Nós | Para nós fazermos | O exercício é para nós fazermos. |
| Vós | Para vós fazerdes | O exercício é para vós fazerdes. |
| Eles ou elas | Para eles ou elas fazerem | O exercício é para eles fazerem. |
| Você | Para você fazer | O exercício é para você fazer. |
| Vocês | Para vocês fazerem | O exercício é para vocês fazerem. |
Observe especialmente as formas flexionadas fazeres, fazermos, fazerdes e fazerem. Elas tornam mais visível a existência de um sujeito ligado ao infinitivo.
O relatório é para nós fazermos.
Os exercícios são para eles fazerem.
Evite “para nós fazer” e “para eles fazer” em contextos formais quando nós e eles são os sujeitos. O infinitivo deve ser flexionado: fazermos e fazerem.
A construção “para mim fazer” existe na fala?
A construção para mim fazer está bastante difundida em variedades informais do português brasileiro. Isso demonstra que a língua falada apresenta usos e estruturas que nem sempre coincidem com a norma-padrão ensinada na escola.
Em uma análise sociolinguística, é importante reconhecer que esse uso não ocorre por falta de raciocínio do falante. Ele resulta do funcionamento natural da língua e do cruzamento entre construções como:
Isso é para mim.
Isso é para eu fazer.
Forma difundida na oralidade: isso é para mim fazer.
Contudo, vestibulares, concursos, redações acadêmicas e textos submetidos à norma-padrão costumam exigir para eu fazer quando o pronome funciona como sujeito. [3]
Reconhecer a variação linguística não impede o domínio da norma-padrão. Cada variedade deve ser compreendida em relação ao contexto em que é utilizada.
Análise das alternativas da imagem
A) Isso é para mim fazer.
Alternativa inadequada na norma-padrão. O pronome representa quem praticará a ação de fazer. Portanto, deve assumir a forma de sujeito: isso é para eu fazer.
B) Isso é para eu fazer.
Alternativa correta. O pronome eu é o sujeito do verbo fazer.
C) Foi para mim resolver isso.
Alternativa inadequada no sentido pretendido. Se a primeira pessoa realizará a ação de resolver, a forma recomendada é foi para eu resolver isso.
D) Deixou para mim trazer os documentos.
Alternativa inadequada na norma-padrão. Como a primeira pessoa é o sujeito de trazer, deve-se escrever deixou para eu trazer os documentos.
Como o tema aparece em vestibulares e concursos?
As provas costumam abordar esse conteúdo em questões sobre pronomes pessoais, funções sintáticas, infinitivo pessoal, reescrita de frases e adequação à norma-padrão.
1. Escolha entre “eu” e “mim”
Complete a frase: “O professor deixou alguns textos para _____ analisar.”
A) mim
B) eu
A resposta é eu, pois o pronome é o sujeito de analisar.
2. Identificação da função sintática
Na frase “o documento é para eu revisar”, o pronome eu exerce a função de:
A) objeto direto
B) objeto indireto
C) sujeito do infinitivo
D) complemento nominal
A resposta é a letra C.
3. Infinitivo flexionado
Assinale a construção adequada:
A) O trabalho é para nós fazer.
B) O trabalho é para nós fazermos.
C) O trabalho é para mim fazermos.
D) O trabalho é para nós fazerem.
A alternativa correta é a letra B, pois nós é sujeito de fazermos.
4. Exceção aparente
Assinale a frase adequada:
A) Isso é para mim corrigir.
B) Ela pediu para mim esperar.
C) É difícil para mim aceitar a mudança.
D) O exercício é para mim responder.
A alternativa C pode ser considerada adequada porque para mim completa o sentido de difícil. A frase pode ser reorganizada: aceitar a mudança é difícil para mim.
Como não se confundir?
Em vez de decorar apenas a frase “mim não faz”, aplique um procedimento de análise.
-
Localize o verbo no infinitivo.
Procure formas como fazer, ler, resolver, trazer ou estudar. -
Pergunte quem pratica a ação.
Em “isso é para eu fazer”, quem faz sou eu. -
Verifique a função do pronome.
Se ele for sujeito, use eu. Se for complemento, use mim. -
Conjugue mentalmente o verbo.
Diga: eu faço, eu leio, eu resolvo. Se a relação fizer sentido, use eu. -
Retire o infinitivo para testar “mim”.
Se a frase puder terminar em para mim, provavelmente o pronome é complemento: “o presente é para mim”. -
Tente deslocar “para mim”.
Em “é difícil para mim estudar”, é possível dizer “estudar é difícil para mim”. -
Observe o contexto da prova.
Vestibulares normalmente exigem a forma prevista pela norma-padrão.
PARA QUEM? MIM → PARA MIM As perguntas revelam as funções de sujeito e complemento.
Exercícios para revisão
Complete as frases com eu ou mim.
- Ela trouxe o relatório para _____ revisar.
- Este presente foi comprado para _____.
- Faça silêncio para _____ conseguir estudar.
- O resultado foi muito importante para _____.
- Há várias atividades para _____ concluir.
- Para _____, a decisão deveria ser adiada.
- O professor deixou um exercício para _____ resolver.
- É difícil para _____ compreender essa mudança.
- Ele guardou um lugar para _____.
- O prazo foi ampliado para _____ terminar o projeto.
Respostas comentadas
1. Eu. O pronome é sujeito de revisar.
2. Mim. O pronome indica o destinatário do presente.
3. Eu. A primeira pessoa pratica a ação de conseguir.
4. Mim. A expressão completa o sentido de importante.
5. Eu. O pronome é sujeito de concluir.
6. Mim. A expressão significa na minha opinião.
7. Eu. O pronome é sujeito de resolver.
8. Mim. Uma análise possível considera para mim complemento de difícil: compreender essa mudança é difícil para mim.
9. Mim. O pronome é complemento e indica para quem o lugar foi guardado.
10. Eu. O pronome é sujeito de terminar.
Erros frequentes e respectivas correções
| Forma inadequada | Forma recomendada | Explicação |
|---|---|---|
| Isso é para mim fazer. | Isso é para eu fazer. | Eu é sujeito de fazer. |
| Ela pediu para mim esperar. | Ela pediu para eu esperar. | Eu pratica a ação de esperar. |
| O livro é para mim ler. | O livro é para eu ler. | O pronome é sujeito de ler. |
| Faça silêncio para mim estudar. | Faça silêncio para eu estudar. | O pronome é sujeito de estudar. |
| O trabalho é para nós fazer. | O trabalho é para nós fazermos. | O infinitivo deve concordar com nós. |
| Os textos são para eles analisar. | Os textos são para eles analisarem. | O infinitivo deve concordar com eles. |
| Entre eu e você. | Entre mim e você. | Depois de entre, usa-se o pronome oblíquo. |
| Ela trouxe o presente para eu. | Ela trouxe o presente para mim. | Não há verbo cujo sujeito seja eu. |
Referências
- ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Emprego especial da preposição “a”. O artigo apresenta orientações sobre o emprego de eu e mim diante de verbos no infinitivo. Disponível em: Academia Brasileira de Letras .
- CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. O “eu” e o “mim”. Disponível em: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa .
- CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. “Para eu” mais verbo versus “para mim”. Disponível em: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa .
- CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. “Que era para eu fazer o trabalho”. A consulta também compara essa estrutura com construções como “é um prazer para mim estar aqui”. Disponível em: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa .
- MICHAELIS. Mim. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em: Michaelis On-line .
- CIPRO NETO, Pasquale. “Minha mãe trabalhava pra mim, trabalhava pra eu treinar”. Folha de S.Paulo, 23 ago. 2001. Disponível em: Folha de S.Paulo .
- BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
- CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon.


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