Dêsse ou Desse: Qual a Forma Correta?

Imagine estar no meio de uma prova ou redação, escrevendo normalmente, até chegar a uma frase como “eu não sabia desse problema”. De repente surge aquela dúvida que faz a gente parar por alguns segundos: será que “desse” leva circunflexo? É curioso como uma palavra extremamente comum pode parecer estranha quando precisamos colocá-la no papel. Nessas horas, a vontade é escrever das duas maneiras e escolher aquela que “parece mais bonita”. O problema é que a memória visual nem sempre é uma boa conselheira. Entender a formação e a história da palavra é um caminho muito mais seguro.

Na ortografia atualmente utilizada no português, escreve-se desse, sem acento circunflexo. A palavra apresenta, porém, uma particularidade linguística interessante: a mesma grafia pode corresponder à contração de de + esse — como em “não gostei desse filme” — ou a uma forma do verbo dar — como em “se ele desse uma oportunidade”. Além disso, a dúvida entre dêsse e desse possui uma explicação histórica, pois a grafia com circunflexo realmente foi utilizada no Brasil antes da reforma ortográfica de 1971.

Dêsse ou Desse: qual é a forma correta?

De acordo com a ortografia atual:

DESSE ✓
DÊSSE ✗

Portanto, atualmente escrevemos:

  • Eu não sabia desse problema.
  • Gostei muito desse livro.
  • Ela não participou desse projeto.
  • Se ele me desse uma oportunidade, eu aceitaria.

Observe que todos os exemplos utilizam a mesma grafia:

desse.

Entretanto, nem todos representam exatamente a mesma estrutura gramatical.

Desse tem acento?

Não.

Na ortografia contemporânea, a palavra:

desse

não recebe acento gráfico.

Isso permanece verdadeiro mesmo quando, na contração formada por de + esse, pronunciamos a primeira vogal com timbre fechado.

Temos, portanto:

DESSE → pronúncia com E fechado em determinado uso
MAS
DESSE → sem circunflexo

Esse exemplo mostra uma diferença fundamental da língua portuguesa:

pronúncia e acentuação gráfica não são a mesma coisa.

O que significa “desse”?

A palavra desse pode aparecer em pelo menos dois usos muito frequentes.

Ela pode ser:

  1. uma contração da preposição de com o pronome demonstrativo esse;
  2. uma forma conjugada do verbo dar.

Compare:

Exemplo Estrutura Sentido
Eu gostei desse livro. de + esse referência ao livro
Se ele me desse o livro. verbo dar ação hipotética de dar

A grafia é idêntica:

DESSE.

A função gramatical e a pronúncia, porém, podem ser diferentes.

“Desse” é a contração de “de + esse”?

Sim.

Quando uma construção exige a preposição:

de

e em seguida aparece o demonstrativo:

esse,

ocorre a contração:

DE + ESSE = DESSE

Veja:

Gostei de + esse livro.

Na construção normal:

Gostei desse livro.

Outros exemplos:

  • Não sabia desse detalhe.
  • Estou cansado desse assunto.
  • Qual é o preço desse computador?
  • Preciso me lembrar desse compromisso.
  • Nunca ouvi falar desse autor.

Quais são as variações de “desse”?

A contração acompanha gênero e número.

Formação Forma resultante
de + esse desse
de + essa dessa
de + esses desses
de + essas dessas
de + isso disso

Exemplos:

  • Não gostei dessa resposta.
  • Não conheço nenhum desses autores.
  • Estou cansado dessas discussões.
  • Não sabia disso.

Nenhuma dessas formas recebe circunflexo.

Quando usar “desse” como pronome demonstrativo?

Na descrição tradicional da norma-padrão, o demonstrativo esse pode ser associado principalmente a algo que está próximo da pessoa com quem se fala.

Imagine que alguém está segurando um livro.

Você pode perguntar:

Qual é o autor desse livro que está com você?

O objeto está próximo do interlocutor.

Por isso:

desse.

“Desse” também pode retomar algo que já foi mencionado?

Sim.

O sistema dos demonstrativos também funciona dentro do próprio texto.

Observe:

Falamos sobre o aumento dos preços. As consequências desse problema ainda serão analisadas.

A expressão:

desse problema

retoma algo apresentado anteriormente:

o aumento dos preços.

Esse mecanismo recebe o nome de:

anáfora.

Uma expressão anafórica recupera uma informação já introduzida no discurso.

O que anáfora tem a ver com “desse”?

A anáfora é um importante mecanismo de:

coesão textual.

Em vez de repetir constantemente o mesmo substantivo, utilizamos diferentes recursos para retomá-lo.

Compare:

O desemprego aumentou. As consequências do desemprego são preocupantes.

A repetição não é necessariamente incorreta, mas podemos construir:

O desemprego aumentou. As consequências desse fenômeno são preocupantes.

O demonstrativo ajuda a conectar as duas frases.

Assim, estudar desse também envolve:

  • morfologia;
  • sintaxe;
  • semântica;
  • coesão textual.

“Desse” também pode ser uma forma do verbo dar?

Sim.

Esse é o segundo uso fundamental.

No verbo dar, a forma:

desse

aparece no:

pretérito imperfeito do subjuntivo.

Exemplos:

  • Se eu desse uma resposta agora, poderia me arrepender.
  • Se ele desse mais atenção às aulas, aprenderia rapidamente.
  • Ela gostaria que eu lhe desse outra oportunidade.

Nesse caso:

desse = forma do verbo dar.

Como é a conjugação de “dar” em “desse”?

No pretérito imperfeito do subjuntivo:

Pessoa Forma
se eu desse
se tu desses
se ele / ela / você desse
se nós déssemos
se vós désseis
se eles / elas / vocês dessem

Observe uma informação interessante:

desse

não recebe acento.

Mas:

déssemos

recebe.

Por que “déssemos” tem acento e “desse” não?

A resposta está na posição da sílaba tônica.

Em:

DES-se,

temos uma palavra paroxítona.

Já em:

DÉS-se-mos,

a sílaba tônica está na antepenúltima posição.

Temos, portanto, uma:

proparoxítona.

E existe uma regra fundamental:

TODAS AS PROPAROXÍTONAS SÃO ACENTUADAS.

Assim:

desse → sem acento
déssemos → com acento

Isso mostra novamente que não devemos colocar um circunflexo em desse apenas porque percebemos uma vogal tônica.

“Desse” possui duas pronúncias?

Na pronúncia de referência do português brasileiro, existe uma diferença interessante.

Na contração:

de + esse → desse,

a primeira vogal apresenta tradicionalmente timbre:

fechado.

Já na forma do verbo:

se eu desse,

a vogal apresenta timbre:

aberto.

Podemos representar didaticamente:

DESSE → de + esse → “dêsse” na pronúncia
DESSE → verbo dar → “désse” na pronúncia

Essas representações com acentos servem aqui apenas para indicar didaticamente o timbre da vogal. Na ortografia atual, as duas formas são escritas simplesmente desse.

Como duas palavras podem ter a mesma escrita e pronúncias diferentes?

A ortografia não registra obrigatoriamente todas as diferenças existentes na fala.

Quando duas formas possuem a mesma grafia, mas podem apresentar pronúncias diferentes, podemos falar em:

homografia.

No caso de desse:

Forma Função Pronúncia da primeira vogal
desse de + esse fechada
desse verbo dar aberta

O contexto normalmente é suficiente para permitir a interpretação.

“Dêsse” já foi uma forma correta?

Aqui aparece o ponto histórico mais interessante da dúvida.

Para a ortografia atual:

dêsse não deve ser utilizado.

Entretanto, historicamente:

a grafia dêsse realmente foi empregada no português brasileiro.

O Formulário Ortográfico de 1943, publicado pela Academia Brasileira de Letras, traz, por exemplo, a expressão:

“dentro dêsse princípio”.

Naquela ortografia, o circunflexo podia funcionar como:

acento diferencial.

Ele ajudava a distinguir graficamente palavras de escrita semelhante que apresentavam diferentes timbres vocálicos.

Quando o Brasil deixou de escrever “dêsse”?

Uma mudança importante ocorreu em:

1971.

A Lei nº 5.765, de 18 de dezembro de 1971, aprovou alterações na ortografia utilizada no Brasil.

Entre essas modificações, foi abolido o circunflexo diferencial utilizado sobre:

E e O

em determinados casos de palavras homógrafas diferenciadas pelo timbre aberto ou fechado da vogal.

Assim, várias grafias foram simplificadas.

Entre formas encontradas na ortografia anterior estavam:

dêsse
dêste
êle
côr

que passaram a aparecer normalmente como:

desse
deste
ele
cor

“Dêsse” perdeu o acento no Acordo Ortográfico de 1990?

No Brasil, não.

Essa é uma distinção histórica importante.

A grafia:

dêsse → desse

está relacionada à reforma brasileira de:

1971.

Já outras mudanças muito conhecidas estão ligadas às regras posteriores do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Por exemplo:

vêem → veem
lêem → leem
crêem → creem
dêem → deem
prevêem → preveem

Esses dois momentos da história ortográfica não devem ser confundidos.

Qual é a relação entre “dêsse” e “côr”?

Os dois casos apresentam uma relação histórica direta.

Durante determinada etapa da ortografia brasileira, encontramos:

DÊSSE
CÔR

com circunflexo diferencial.

Depois da reforma de 1971:

DESSE
COR

sem esse acento.

Essa mudança já foi estudada com mais profundidade no Da Aula no artigo:

Cor ou Côr: Qual a Forma Correta?

Os dois conteúdos mostram um princípio importante:

a ortografia possui história.

Uma grafia encontrada em um texto antigo não deve ser automaticamente classificada como erro sem considerar a norma vigente no período em que o texto foi produzido.

Qual é a diferença entre “desse” e “deste”?

Essa é outra pesquisa muito frequente.

As duas formas existem:

DESSE = de + esse
DESTE = de + este

Na descrição normativa tradicional:

deste está relacionado a algo próximo de quem fala.

desse está relacionado a algo próximo da pessoa com quem se fala.

Imagine dois livros.

Um está comigo:

Eu gosto deste livro aqui.

O outro está com você:

Também gosto desse livro que está com você.

Desse ou deste em um texto: como escolher?

Os demonstrativos também podem organizar informações no discurso.

De maneira geral:

desse pode retomar algo mencionado anteriormente.

deste pode anunciar algo que será apresentado em seguida.

Compare:

O pesquisador apresentou uma nova hipótese. As consequências dessa hipótese serão analisadas posteriormente.

Aqui:

dessa

retoma uma informação anterior.

Agora:

Lembre-se deste princípio: toda proparoxítona é acentuada.

Neste caso:

deste

antecipa o princípio que aparecerá depois dos dois-pontos.

“Desse” e “deste” são escritos com circunflexo?

Atualmente:

DESSE ✓
DESTE ✓

Não:

DÊSSE ✗
DÊSTE ✗

As formas com circunflexo podem ser encontradas em textos brasileiros antigos.

Para a escrita contemporânea, entretanto, usamos:

desse e deste.

Desse ou dê-se: qual é a diferença?

Aqui temos duas formas realmente corretas:

DESSE
DÊ-SE

Mas elas não significam a mesma coisa.

Desse pode ser:

  • de + esse;
  • forma do verbo dar no pretérito imperfeito do subjuntivo.

Já:

dê-se

é formado pelo verbo dar acompanhado do pronome:

se.

Exemplo:

Dê-se uma oportunidade para aprender.

Ou:

Dê-se por satisfeito.

Portanto:

Forma Exemplo
desse Se ele me desse outra chance…
dê-se Dê-se outra chance.

Por que “dê” tem acento, mas “desse” não?

A forma:

recebe circunflexo.

Exemplos:

  • Espero que ele uma resposta.
  • atenção ao professor.

Já:

desse

não recebe.

São formas diferentes e submetidas a regras ortográficas diferentes.

Isso permite construir uma associação útil:

QUE ELE DÊ → PRESENTE DO SUBJUNTIVO

SE ELE DESSE → PRETÉRITO IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO

“Deem” ainda tem circunflexo?

Não.

Atualmente:

deem.

Antes das regras atualmente vigentes, encontrava-se:

dêem.

Essa mudança pertence ao mesmo grupo de:

vêem → veem
lêem → leem
crêem → creem
prevêem → preveem

Esse tema já foi estudado no Da Aula em:

Preveem ou Prevêem: Qual é a Forma Correta?

Comparar os dois artigos é especialmente útil porque mostra que diferentes circunflexos desapareceram em momentos distintos da história ortográfica brasileira.

Acento tônico e acento gráfico são a mesma coisa?

Não.

O acento tônico pertence à pronúncia.

Ele corresponde à sílaba pronunciada com maior intensidade.

Já o:

acento gráfico

é o sinal escrito:

´ ou ^

Compare:

Palavra Possui sílaba tônica? Possui acento gráfico?
desse sim não
casa sim não
rubrica sim não
déssemos sim sim

Esse princípio aparece também no artigo:

Rubrica ou Rúbrica: Qual é a Forma Correta?

A lição é:

SÍLABA TÔNICA ≠ ACENTO GRÁFICO OBRIGATÓRIO.

Por que “desse” não recebe circunflexo se o E pode ser fechado?

Porque o circunflexo não é utilizado simplesmente para marcar toda vogal fechada da língua portuguesa.

Compare:

  • desse;
  • esse;
  • medo;
  • verde;
  • cedo.

A presença de um E fechado na pronúncia não cria automaticamente a necessidade de um:

Ê.

O acento gráfico aparece quando uma:

regra ortográfica específica

determina sua utilização.

Encontrar “dêsse” em um livro antigo significa que está errado?

Não necessariamente.

Se o texto foi publicado durante um período em que a grafia:

dêsse

era prevista pelas convenções ortográficas brasileiras, ela deve ser interpretada historicamente.

Isso vale também para formas antigas como:

  • dêste;
  • êle;
  • côr;
  • govêrno;
  • aquêle.

Quando analisamos documentos antigos, devemos perguntar:

QUAL ERA A NORMA ORTOGRÁFICA VIGENTE NA ÉPOCA?

Julgar um documento de 1950 exclusivamente pelas regras utilizadas em 2026 produziria um:

anacronismo ortográfico.

Como usar “desse” em uma redação?

Em redações, desse pode ser particularmente útil para retomar uma ideia já mencionada.

Exemplo:

A desigualdade social compromete o acesso à educação. As consequências desse problema ultrapassam o ambiente escolar.

Nesse caso:

desse problema

recupera:

a desigualdade social.

Isso contribui para a:

coesão referencial.

Em vez de repetir exatamente a mesma expressão, o escritor estabelece uma conexão semântica entre as partes do texto.

Usar “desse” deixa uma redação melhor?

A palavra isoladamente não torna um texto melhor ou pior.

O que importa é:

o emprego adequado do mecanismo de referência.

Compare:

A violência urbana apresenta diferentes causas. A violência urbana também produz consequências econômicas.

Podemos escrever:

A violência urbana apresenta diferentes causas. As consequências desse fenômeno também alcançam a economia.

A segunda construção evita uma repetição imediata e estabelece uma retomada textual.

Entretanto, substituir palavras apenas para “não repetir” pode produzir referências vagas.

A clareza continua sendo o critério principal.

Exemplos com “desse” corretamente escrito

Veja diferentes empregos:

  • Eu nunca tinha ouvido falar desse assunto.
  • Qual é o preço desse livro?
  • Estou cansado desse comportamento.
  • As consequências desse problema são graves.
  • Não participei desse encontro.
  • Se você me desse alguns minutos, eu explicaria.
  • Eu gostaria que ele me desse uma resposta.
  • Se o professor desse outro exemplo, ficaria mais fácil compreender.

Nas oito frases:

desse é escrito sem circunflexo.

Como “desse” pode aparecer em vestibulares e provas?

Exemplo 1 — ortografia

Assinale a alternativa escrita de acordo com a ortografia atual:

  • A) Eu não sabia dêsse problema.
  • B) Eu não sabia desse problema.
  • C) Eu não sabia deçe problema.
  • D) Eu não sabia desse problêma.

Resposta: B.

Exemplo 2 — formação da contração

Na frase “Não gostei desse livro”, a palavra desse resulta da combinação:

  • A) de + este;
  • B) em + esse;
  • C) de + esse;
  • D) por + esse.

Resposta: C.

Exemplo 3 — verbo dar

Na frase “Se ele me desse uma oportunidade”, desse é:

  • A) pronome demonstrativo;
  • B) forma do verbo dar;
  • C) preposição;
  • D) substantivo.

Resposta: B.

Exemplo 4 — tempo e modo verbal

Em “se eu desse”, a forma verbal pertence ao:

  • A) presente do indicativo;
  • B) futuro do presente;
  • C) pretérito imperfeito do subjuntivo;
  • D) pretérito perfeito do indicativo.

Resposta: C.

Exemplo 5 — desse ou deste

Uma pessoa está segurando um livro e você pergunta a ela:

“Qual é o autor ______ livro que está com você?”

  • A) deste;
  • B) dêsse;
  • C) desse;
  • D) dêste.

Na distinção normativa tradicional, a resposta é:

C) desse.

Exemplo 6 — história da ortografia

Encontrar dêsse em um documento brasileiro produzido antes da reforma de 1971 significa necessariamente:

  • A) erro ortográfico do autor;
  • B) que a palavra era estrangeira;
  • C) que a grafia pode corresponder à norma utilizada naquele período;
  • D) que o texto foi escrito depois do Acordo Ortográfico de 1990.

Resposta: C.

Exemplo 7 — dê-se ou desse

Complete:

“______ uma nova oportunidade antes de desistir.”

  • A) Desse;
  • B) Dêsse;
  • C) Dê-se;
  • D) Dês-se.

Resposta: C.

Como achar padrões e não se confundir entre “dêsse” e “desse”?

O melhor caminho não é simplesmente decorar:

“desse é sem acento”.

Existem algumas associações que tornam essa escrita muito mais fácil de recuperar.

Padrão 1 — pense primeiro em “esse”

Se a construção for:

de + esse,

faça mentalmente:

DE + ESSE

DESSE

Como:

esse

não possui circunflexo, a memória visual da formação ajuda:

DESSE.

Padrão 2 — memorize a família completa

Não estude apenas desse.

Guarde:

DESSE
DESSA
DESSES
DESSAS
DISSO

Nenhuma dessas formas recebe:

circunflexo.

Padrão 3 — verbo dar: “se eu desse”

Crie uma frase fixa:

SE EU DESSE UMA CHANCE…

Assim, quando encontrar a forma verbal, você recupera automaticamente:

DESSE.

Padrão 4 — não confunda “desse” com “dê”

Guarde:

QUE ELE DÊ → com circunflexo

mas:

SE ELE DESSE → sem circunflexo

Essa comparação é especialmente eficiente porque as duas formas pertencem ao mesmo verbo.

Padrão 5 — “dê-se” precisa do hífen

Quando tivermos:

verbo DÊ + pronome SE,

escrevemos:

DÊ-SE.

Então:

DESSE → uma palavra

DÊ-SE → verbo + pronome

Padrão 6 — pronúncia fechada não significa circunflexo

Esse é um dos princípios mais importantes.

Mesmo que você perceba:

Ê

na pronúncia da contração desse, não escreva automaticamente:

dêsse.

Pense:

TIMBRE DA VOGAL

ACENTO GRÁFICO OBRIGATÓRIO

Padrão 7 — associe “desse” a “cor”

Você já pode utilizar um conteúdo do Da Aula como memória histórica:

DÊSSE → DESSE
CÔR → COR

Ambas as mudanças estão relacionadas à supressão de certos acentos diferenciais no Brasil em:

1971.

Para aprofundar:

Cor ou Côr: Qual a Forma Correta?

Padrão 8 — não coloque todas as reformas no mesmo grupo

Guarde duas datas ou períodos diferentes:

1971
DÊSSE → DESSE
CÔR → COR

Depois:

ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990
VÊEM → VEEM
PREVÊEM → PREVEEM
DÊEM → DEEM

Para esse segundo grupo:

Preveem ou Prevêem: Qual é a Forma Correta?

Padrão 9 — use “desse” para olhar para trás no texto

Em redações, pense:

ALGO JÁ MENCIONADO

DESSE / DESSA

Exemplo:

A evasão escolar é um problema complexo. As causas desse fenômeno precisam ser investigadas.

A associação ajuda tanto na gramática quanto na construção de textos mais coesos.

Padrão 10 — diante de um texto antigo, verifique a data

Se você encontrar:

dêsse

em um livro, jornal ou documento antigo, não conclua imediatamente:

“está errado”.

Pergunte:

QUANDO ESTE TEXTO FOI ESCRITO?

Se ele pertence ao período anterior à reforma brasileira de 1971, a grafia pode refletir:

a norma ortográfica vigente naquele momento.

Um esquema rápido para memorizar

Para a escrita atual:

DESSE ✓
DÊSSE ✗

Primeiro significado:

DE + ESSE
=
DESSE

Segundo significado:

VERBO DAR
SE EU DESSE

Agora diferencie:

DESSE → sem acento
DÊ → com acento
DÊ-SE → com acento e hífen
DÉSSEMOS → com acento

Para a história:

ANTES → DÊSSE

REFORMA BRASILEIRA DE 1971

DESSE

E para relacionar com outros conteúdos:

DÊSSE → DESSE = 1971
CÔR → COR = 1971

enquanto:

VÊEM → VEEM = REFORMA POSTERIOR
PREVÊEM → PREVEEM = REFORMA POSTERIOR

Dessa forma, a escrita deixa de depender apenas da memória visual. Você passa a compreender a formação da palavra, sua função gramatical, sua pronúncia e a própria história da ortografia portuguesa.

Referências

  1. ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Formulário Ortográfico de 1943. Documento histórico da ortografia brasileira. O próprio texto registra grafias antigas com circunflexo diferencial, inclusive a expressão “dentro dêsse princípio”.
  2. BRASIL. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Lei nº 5.765, de 18 de dezembro de 1971. Aprova alterações na ortografia brasileira, incluindo a abolição do circunflexo diferencial empregado sobre E e O em determinados casos de homografia com diferença de timbre.
  3. DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA. Desse. Registra desse como contração da preposição de com o pronome esse e indica sua origem em de + esse.
  4. INFOPÉDIA — PORTO EDITORA. Desse. Registra tanto a contração de + esse quanto a forma desse pertencente ao pretérito imperfeito do conjuntivo/subjuntivo do verbo dar.
  5. MICHAELIS. Verbos irregulares, defectivos ou difíceis em português — dar. Apresenta a conjugação de dar, incluindo desse no pretérito imperfeito do subjuntivo.
  6. CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Deste/desse. Material sobre a distinção normativa entre este/deste, relacionado à proximidade de quem fala, e esse/desse, relacionado à proximidade do interlocutor.
  7. ESCREVER CERTO. Dêsse ou desse. Material utilizado como ponto de partida para a dúvida. Apresenta desse como a grafia contemporânea e diferencia a contração de + esse da forma verbal de dar.
  8. DA AULA. Cor ou Côr: Qual a Forma Correta? Conteúdo complementar sobre os antigos acentos diferenciais e a reforma ortográfica brasileira de 1971.
  9. DA AULA. Preveem ou Prevêem: Qual é a Forma Correta? Conteúdo complementar sobre alterações posteriores da acentuação, incluindo vêem → veem, dêem → deem e prevêem → preveem.
  10. DA AULA. Rubrica ou Rúbrica: Qual é a Forma Correta? Conteúdo complementar sobre a diferença entre acento tônico e acento gráfico e sobre o fato de uma vogal ou sílaba tônica não precisar obrigatoriamente de sinal gráfico.
  11. BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Obra de referência para pronomes demonstrativos, contrações, conjugação verbal, acentuação e ortografia.
  12. CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon. Obra de referência para pronomes demonstrativos, sistema verbal, morfologia, fonética e ortografia da língua portuguesa.

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