Algumas dúvidas ortográficas parecem colocar duas grafias em disputa, quando na verdade estamos diante de duas palavras diferentes. É exatamente o que acontece com dispor e despor. No português contemporâneo, dispor é o verbo empregado quando se quer falar em organizar, colocar de determinada maneira, estabelecer, preparar, ter algo disponível ou fazer uso de alguma coisa. Despor, embora raro, também possui registro em dicionários: é um verbo com sentido próximo de depor ou demitir. A consequência prática é simples, mas importante: uma palavra não pode substituir a outra apenas porque a pronúncia é parecida.
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Serei ou Cerei: Qual a Forma Correta?
Há dúvidas ortográficas que parecem colocar duas grafias em competição, quando, na realidade, cada uma pertence a uma palavra diferente. Serei e cerei formam justamente um desses casos. Na fala de muitos brasileiros, as duas formas podem soar praticamente iguais, mas a semelhança termina aí. Serei pertence ao verbo ser e projeta uma situação para o futuro; cerei, embora muito menos comum, também existe nos dicionários e pertence ao verbo cerar, empregado historicamente com o sentido de fechar ou lacrar com cera. A diferença entre S e C, portanto, não é apenas ortográfica: envolve dois verbos, dois significados e até dois tempos verbais diferentes.
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Selar ou Celar: Qual a Forma Correta?
Algumas dúvidas de ortografia são resolvidas quando descobrimos que uma das formas simplesmente não existe. Com celar e selar, a situação é mais interessante: as duas formas podem ser encontradas no português, mas elas não são variantes livres da mesma palavra. Na prática cotidiana, selar é o verbo usado para fechar, lacrar, autenticar, confirmar um acordo ou colocar sela em uma cavalgadura. Celar, por sua vez, possui registro lexicográfico próprio, com sentido ligado a vigiar, zelar ou cuidar. A diferença, portanto, não está apenas em uma letra: está no significado.
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Magôo ou Magoo: Qual a Forma Correta?
Há palavras que parecem erradas só porque a nossa vista estranha a forma delas. Magoo é um bom exemplo. Muita gente olha para esse encontro de duas letras o e pensa imediatamente que há ali uma falha de digitação, uma grafia truncada ou, quem sabe, um acento perdido. É justamente nesse ponto que a dúvida se torna interessante do ponto de vista linguístico. Mais do que escolher entre magôo e magoo, o caso permite observar como a ortografia registra mudanças históricas, como a flexão verbal produz sequências pouco intuitivas e como a língua, às vezes, gosta de desafiar a nossa desconfiança visual.
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Dá-lhe, Dalhe ou Dale: Qual a Forma Correta?
Há expressões que ouvimos tantas vezes que quase nunca pensamos em sua estrutura. Dá-lhe é uma delas. Em uma arquibancada, numa conversa animada ou durante uma competição, é perfeitamente natural ouvir alguém gritar algo semelhante a “dale!”. Quando chega a hora de escrever, porém, começa a confusão: existe acento? Tem hífen? Aquele som de lh realmente precisa aparecer na escrita? Para piorar um pouco, dale existe em espanhol. Ou seja: dessa vez, a dúvida não é tão absurda quanto pode parecer à primeira vista.
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Sôo ou Soo: Qual a Forma Correta?
A forma soo pertence ao verbo soar e corresponde à primeira pessoa do singular do presente do indicativo: eu soo. O verbo possui sentidos relacionados à produção e propagação de sons, mas também desenvolveu empregos mais abstratos, como em isso soa estranho ou eu soo mais confiante quando falo devagar. Sua história remonta ao latim sonare, relacionado à produção sonora. Além de permitir o estudo da conjugação verbal, a palavra é especialmente interessante para compreender uma das mudanças de acentuação introduzidas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
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Quilograma ou Kilograma: Qual a Forma Correta?
É curioso como uma palavra que usamos praticamente desde criança pode provocar dúvida quando precisamos escrevê-la. No supermercado, ninguém costuma parar diante da balança pensando na ortografia de quilograma; mas basta aparecer uma questão de prova ou precisarmos escrever “comprei um quilograma de arroz” para surgir aquela pergunta: se o símbolo é kg, por que a palavra normalmente aparece com qu? E será que escrever com K é realmente um erro? Quando investigamos o assunto com um pouco mais de cuidado, descobrimos que a resposta envolve não somente ortografia, mas também metrologia, história da ciência e convenções internacionais.
O quilograma é uma das sete unidades de base do Sistema Internacional de Unidades (SI) e corresponde à unidade utilizada para medir massa. Seu símbolo internacional é kg. Na tradição ortográfica brasileira, a grafia consagrada é quilograma, registrada em dicionários e amplamente utilizada em materiais escolares. Entretanto, documentos oficiais recentes de metrologia no Brasil também admitem a forma kilograma. Essa coexistência cria uma situação interessante: a resposta mais adequada pode depender do contexto em que a palavra está sendo utilizada.
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Coordenador ou Cordenador: Qual é a Forma Correta?
Algumas dúvidas de ortografia aparecem justamente em palavras que usamos com frequência. Quando precisamos escrever rapidamente uma mensagem, um e-mail profissional ou uma redação, formas como coordenador podem causar estranhamento por apresentarem duas letras O consecutivas. A tendência de algumas pessoas é eliminar uma delas e escrever cordenador, principalmente porque, na fala rápida, nem sempre percebemos com clareza todas as vogais que aparecem na escrita. Entretanto, a ortografia nem sempre pode ser determinada apenas pela pronúncia: observar a formação e a família da palavra oferece pistas muito mais seguras.
A grafia estabelecida na língua portuguesa é coordenador, com duas letras O. A palavra está relacionada ao verbo coordenar e designa, de modo geral, aquele que coordena, organiza ou orienta determinada atividade. A sequência oo não é um erro nem uma repetição dispensável: ela aparece também em coordenar, coordenação, coordenado e coordenadora. Além disso, sua formação permite estudar um fenômeno interessante da ortografia portuguesa: o prefixo co- pode se unir a palavras iniciadas por O, preservando as duas vogais.
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Dêsse ou Desse: Qual a Forma Correta?
Imagine estar no meio de uma prova ou redação, escrevendo normalmente, até chegar a uma frase como “eu não sabia desse problema”. De repente surge aquela dúvida que faz a gente parar por alguns segundos: será que “desse” leva circunflexo? É curioso como uma palavra extremamente comum pode parecer estranha quando precisamos colocá-la no papel. Nessas horas, a vontade é escrever das duas maneiras e escolher aquela que “parece mais bonita”. O problema é que a memória visual nem sempre é uma boa conselheira. Entender a formação e a história da palavra é um caminho muito mais seguro.
Na ortografia atualmente utilizada no português, escreve-se desse, sem acento circunflexo. A palavra apresenta, porém, uma particularidade linguística interessante: a mesma grafia pode corresponder à contração de de + esse — como em “não gostei desse filme” — ou a uma forma do verbo dar — como em “se ele desse uma oportunidade”. Além disso, a dúvida entre dêsse e desse possui uma explicação histórica, pois a grafia com circunflexo realmente foi utilizada no Brasil antes da reforma ortográfica de 1971.
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Sonsa ou Sonça: Qual é a Forma Correta?
Imagine ouvir alguém dizer que uma pessoa “agiu de forma sonsa”. A pronúncia parece simples, mas a escrita pode produzir uma dúvida bastante interessante: seria sonsa, com S, ou sonça, com Ç? A confusão é compreensível porque a língua portuguesa possui várias maneiras de representar o som /s/. Encontramos esse som em palavras escritas com s, ss, c e ç, entre outras possibilidades. Além disso, palavras como onça, dança e lança fazem com que uma grafia como sonça pareça visualmente possível. A ortografia correta, entretanto, é outra.
A forma padrão é sonsa, escrita com S. Trata-se da forma feminina de sonso, palavra empregada para caracterizar alguém que dissimula suas intenções, aparenta ingenuidade ou procura esconder aquilo que realmente sabe ou pretende. A grafia sonça não corresponde à forma padrão desse adjetivo. Mais do que decorar uma palavra isolada, este caso permite compreender a relação entre fonema e grafema, o emprego de S, SS e Ç, a importância das famílias de palavras e um princípio fundamental da ortografia: sons semelhantes não precisam ser representados pelas mesmas letras.
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