A forma correta é durmo. Quando conjugamos o verbo dormir na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, dizemos eu durmo, e não eu dormo. A dúvida surge porque o infinitivo apresenta a vogal O — dormir — e várias outras formas do verbo também preservam essa vogal, como dormes, dorme, dormimos e dormem. Entretanto, a conjugação apresenta uma alternância entre O e U no radical: encontramos durmo, durma, durmamos e durmam.
Durmo ou dormo: qual é a forma correta?
Na questão apresentada nas redes sociais, temos duas possibilidades:
- 👍 Dormo
- 😆 Durmo
A forma correta é “durmo”.
Portanto:
Eu durmo oito horas por noite.
Também podemos escrever:
- Eu durmo cedo durante a semana.
- Normalmente durmo melhor quando está frio.
- Eu não durmo bem quando tomo muito café.
- Nos fins de semana, durmo até mais tarde.
A forma dormo não corresponde à primeira pessoa do presente do indicativo na norma-padrão atual.
De qual verbo vem “durmo”?
Durmo é uma forma do verbo dormir.
O infinitivo termina em -ir, portanto o verbo pertence à terceira conjugação.
Temos:
- 1.ª conjugação: verbos terminados em -ar — falar, estudar, cantar;
- 2.ª conjugação: verbos terminados em -er — vender, correr, escrever;
- 3.ª conjugação: verbos terminados em -ir — partir, dividir, dormir.
Entretanto, saber que dormir pertence à terceira conjugação não é suficiente para prever todas as suas formas, porque o verbo apresenta alterações no radical em determinados pontos do paradigma.
Como o verbo “dormir” é conjugado no presente?
No presente do indicativo, temos:
| Pessoa | Forma |
|---|---|
| eu | durmo |
| tu | dormes |
| ele / ela / você | dorme |
| nós | dormimos |
| vós | dormis |
| eles / elas / vocês | dormem |
A primeira coisa que chama a atenção é justamente a primeira pessoa:
dormir → eu durmo.
Nas outras pessoas desse tempo, encontramos novamente o O:
dormes, dorme, dormimos, dormis, dormem.
Por que é “durmo” se o verbo é “dormir”?
Porque a conjugação desse verbo apresenta aquilo que a linguística descreve como uma alternância vocálica.
Em termos simples, a vogal encontrada no radical não permanece exatamente igual em todas as formas.
Compare:
DORM-ir
mas:
DURM-o.
A mudança ocorre dentro do radical:
dorm- → durm-.
Essa alteração faz parte do sistema de conjugação do verbo e não representa erro, abreviação ou pronúncia informal.
O que é o radical de um verbo?
Para compreender melhor essa explicação, é útil recordar o conceito de radical.
De maneira simplificada, o radical é a parte da palavra que concentra uma parcela importante de seu significado lexical e que aparece em diferentes formas da mesma família ou paradigma.
Em:
dormir
podemos reconhecer a base:
dorm-
em várias formas:
- dormir;
- dormes;
- dorme;
- dormimos;
- dormindo;
- dormido.
Entretanto, outras formas apresentam:
- durmo;
- durma;
- durmamos;
- durmam.
Portanto, o verbo possui realizações diferentes do radical dentro do próprio paradigma.
Isso significa que “dormir” é irregular?
Em classificações gramaticais, o verbo dormir é tratado como verbo que apresenta irregularidade ou alternância no radical.
A razão é justamente a mudança:
dorm- → durm-.
Um verbo inteiramente regular tenderia a conservar seu radical de maneira mais previsível durante a flexão.
Compare com partir:
- eu parto;
- tu partes;
- ele parte;
- nós partimos;
- eles partem.
Não ocorre uma alternância equivalente a dormir → durmo.
A mudança para U aparece apenas em “durmo”?
Não.
Ela reaparece principalmente em formas do presente do subjuntivo e do imperativo.
No presente do subjuntivo:
- que eu durma;
- que tu durmas;
- que ele durma;
- que nós durmamos;
- que vós durmais;
- que eles durmam.
O radical com U aparece em todo esse conjunto.
Veja:
durm-o
durm-a
durm-as
durm-amos
durm-am
Isso mostra que durmo não é uma exceção completamente isolada: faz parte de um padrão interno da conjugação.
“Espero que eu dorma” ou “espero que eu durma”?
O correto é:
Espero que eu durma.
Como estamos diante do presente do subjuntivo, utilizamos:
- que eu durma;
- que você durma;
- que nós durmamos;
- que vocês durmam.
Assim, são inadequadas na norma-padrão formas como:
- que eu dorma;
- que eles dormam.
“Durma bem” também vem do mesmo padrão
A expressão:
Durma bem!
é extremamente comum.
Ela utiliza uma forma do imperativo relacionada ao mesmo radical durm-.
Temos:
- Durma bem.
- Durmam bem.
- Não durma tão tarde.
- Não durmam durante a aula.
Essa expressão cotidiana pode servir como uma boa âncora de memória.
Se você sabe espontaneamente que diz:
Durma bem!
fica mais fácil lembrar:
Eu durmo bem.
Mas por que dizemos “dormes” e não “durmes”?
Porque a alternância não ocorre em todas as pessoas do presente do indicativo.
Observe novamente:
- eu durmo;
- tu dormes;
- ele dorme;
- nós dormimos;
- eles dormem.
Uma tentativa de criar uma regra simples como:
“O verbo dormir sempre troca O por U quando é conjugado”
estaria errada.
A alternância ocorre apenas em determinadas posições do paradigma.
Por isso, estudar algumas formas em conjunto é muito mais seguro do que inventar uma regra absoluta.
O fenômeno aparece em outros verbos?
Sim. A língua portuguesa apresenta outros verbos da terceira conjugação em que ocorre alternância de vogais no radical.
Um exemplo conhecido é:
ferir → eu firo.
Temos:
- eu firo;
- tu feres;
- ele fere;
- nós ferimos;
- eles ferem.
Compare com:
- eu durmo;
- tu dormes;
- ele dorme;
- nós dormimos;
- eles dormem.
Existe uma semelhança estrutural:
ferir → firo
dormir → durmo
Em ambos os casos, a primeira pessoa do presente apresenta uma vogal diferente daquela que encontramos em outras formas do mesmo tempo verbal.
Há também “servir → sirvo”
Outro exemplo bastante útil é o verbo servir:
- eu sirvo;
- tu serves;
- ele serve;
- nós servimos;
- eles servem.
Isso permite criar um pequeno grupo para estudo:
| Infinitivo | 1.ª pessoa do presente |
|---|---|
| dormir | durmo |
| ferir | firo |
| servir | sirvo |
Essas comparações mostram que a mudança de vogal dentro do radical é um fenômeno real da morfologia verbal portuguesa.
Isso é apenas uma questão de ortografia?
Não.
A diferença entre durmo e dormo não é comparável a uma simples escolha entre duas maneiras de representar o mesmo som.
O fenômeno é principalmente morfológico: estamos escolhendo a forma adequada dentro do paradigma do verbo dormir.
Por isso, estudar somente a escrita da palavra não explica completamente a dúvida.
É necessário compreender:
- qual é o verbo;
- qual é a pessoa gramatical;
- qual é o tempo verbal;
- qual forma do radical aparece naquela posição.
Nesse sentido, a questão envolve principalmente morfologia e flexão verbal.
“Eu dormi” continua com O
O passado ajuda a mostrar que a alternância não aparece em todos os tempos.
No pretérito perfeito do indicativo:
- eu dormi;
- tu dormiste;
- ele dormiu;
- nós dormimos;
- eles dormiram.
Portanto:
Hoje eu DURMO.
mas:
Ontem eu DORMI.
As duas formas estão corretas porque pertencem a tempos verbais diferentes.
“Durmi” está correto?
Não na norma-padrão.
O pretérito perfeito é:
eu dormi.
Não devemos transportar o U de durmo para todas as formas.
Compare:
| Contexto | Forma |
|---|---|
| Agora | eu durmo |
| Ontem | eu dormi |
| Desejo | espero que eu durma |
| Futuro | eu dormirei |
Essa tabela demonstra um princípio fundamental:
não basta saber que existe “durm-”; é preciso saber em quais formas ele aparece.
O futuro volta a apresentar O
No futuro do presente:
- eu dormirei;
- tu dormirás;
- ele dormirá;
- nós dormiremos;
- eles dormirão.
Assim:
Hoje eu durmo cedo.
Mas:
Amanhã eu dormirei cedo.
Essa comparação reforça que a alternância está condicionada à estrutura morfológica de determinadas formas, e não ao significado geral de “dormir”.
“Dormimos” pode indicar presente ou passado?
Sim. Essa é uma curiosidade interessante do paradigma.
A forma:
dormimos
pode corresponder tanto ao presente quanto ao pretérito perfeito, dependendo do contexto.
Presente:
Nós dormimos oito horas por noite.
Passado:
Nós dormimos muito bem ontem.
A forma escrita é a mesma. Quem permite identificar o tempo verbal é principalmente o contexto.
Expressões como todos os dias e ontem ajudam a localizar temporalmente a ação.
O que significa “dormir”?
O sentido mais evidente é estar entregue ao sono:
Ela dormiu oito horas.
Entretanto, os dicionários registram outros usos.
A palavra pode aparecer com sentidos relacionados a repousar, passar a noite em determinado lugar e permanecer inativo ou imóvel.
Também encontramos expressões figuradas e idiomáticas.
Por exemplo:
Ele dormiu no ponto.
Dependendo do contexto, essa expressão pode significar que alguém perdeu uma oportunidade ou não percebeu algo a tempo.
Isso mostra como um verbo inicialmente ligado a uma atividade fisiológica pode desenvolver diferentes extensões de sentido.
“Dormir” e “adormecer” são iguais?
Não exatamente.
Dormir pode designar o próprio estado de sono:
Ela está dormindo.
Adormecer, por sua vez, pode focalizar o início desse estado:
Ela adormeceu rapidamente.
Em termos simples:
- dormir → estar no estado de sono;
- adormecer → começar a dormir.
A diferença demonstra como verbos semanticamente próximos podem destacar fases diferentes de um mesmo acontecimento.
Por que “dormo” parece tão natural?
A forma dormo pode parecer intuitiva porque o falante reconhece o radical dorm- em grande parte da conjugação:
- dormir;
- dormes;
- dorme;
- dormimos;
- dormem;
- dormia;
- dormi;
- dormirei;
- dormindo;
- dormido.
É perfeitamente compreensível que alguém tente completar o paradigma por analogia:
dormir → dormo.
O problema é que a língua nem sempre mantém um padrão totalmente regular. Nesse ponto específico, a forma consagrada é:
dormir → durmo.
A língua funciona por padrões, mas também por irregularidades
Essa questão é um ótimo exemplo de um princípio importante da gramática.
Os falantes aprendem a língua reconhecendo padrões. Se conhecemos:
partir → parto
poderíamos imaginar:
dormir → dormo.
Entretanto, determinados verbos possuem padrões próprios construídos historicamente.
Por isso, o conhecimento gramatical exige duas habilidades:
- reconhecer padrões produtivos;
- reconhecer quando determinado verbo apresenta uma alternância própria.
É justamente essa combinação que permite compreender formas como durmo sem tratá-las como exceções completamente aleatórias.
Há uma explicação histórica?
As alternâncias vocálicas do português são resultado de processos históricos complexos que ocorreram durante a evolução da língua.
As formas verbais atuais não foram criadas de maneira instantânea. Elas resultam de séculos de transformações fonéticas, morfológicas e analógicas.
Estudos sobre a história da flexão verbal portuguesa mostram que o paradigma dos verbos passou por diferentes estágios e que formas hoje não pertencentes ao padrão contemporâneo podem aparecer em documentação antiga.
Isso é importante porque evita duas simplificações:
A primeira seria imaginar que durmo é uma “exceção sem explicação”.
A segunda seria imaginar que uma forma que não pertence à norma contemporânea necessariamente nunca existiu em nenhum período da história da língua.
Para o uso contemporâneo, porém, a orientação é simples: escreva e diga eu durmo.
Como esse assunto pode aparecer em vestibulares e provas?
A questão pode cobrar a forma correta diretamente ou explorar conceitos de pessoa, tempo, modo e irregularidade verbal.
Exemplo 1 — forma correta
Complete:
“Normalmente eu ______ cedo durante a semana.”
- A) dormo
- B) durmo
Resposta: B) durmo.
Exemplo 2 — pessoa verbal
Em “Eu durmo cedo”, a forma durmo corresponde:
- A) à primeira pessoa do singular do presente do indicativo;
- B) à terceira pessoa do singular do presente;
- C) à primeira pessoa do pretérito perfeito;
- D) ao infinitivo.
Resposta: A.
Exemplo 3 — presente do subjuntivo
Complete:
“É importante que você ______ pelo menos algumas horas.”
- A) dorma;
- B) durma;
- C) dorme;
- D) durme.
Resposta: B) durma.
Exemplo 4 — passado
Complete:
“Ontem eu ______ muito bem.”
- A) durmi;
- B) dormi;
- C) durmo;
- D) dormo.
Resposta: B) dormi.
Exemplo 5 — alternância vocálica
Qual par apresenta corretamente duas formas do mesmo verbo?
- A) dormir / dormo;
- B) dormir / durmo;
- C) durmir / durmo;
- D) durmir / dormo.
Resposta: B.
Como encontrar padrões e não se confundir mais?
O melhor método é não decorar apenas uma oposição:
dormo × durmo.
Aprenda uma pequena sequência:
DORMIR → EU DURMO
DORMIR → EU DORMI
DORMIR → QUE EU DURMA
DORMIR → EU DORMIREI
Isso permite enxergar onde o U realmente aparece.
Depois, memorize o presente:
EU DURMO
TU DORMES
ELE DORME
NÓS DORMIMOS
ELES DORMEM
A primeira pessoa é a que chama mais atenção.
Associe “durmo” a “durma”
Um dos melhores macetes é criar esta relação:
DURMO → DURMA.
Se você já conhece a expressão:
Durma bem!
pode usá-la como referência para:
Eu durmo bem.
As duas formas apresentam a mesma base:
durm-.
Compare com “ferir” e “servir”
Outra estratégia é montar um pequeno grupo de verbos com alternância:
DORMIR → DURMO
FERIR → FIRO
SERVIR → SIRVO
Depois compare com formas em que a vogal original reaparece:
DORMES
FERES
SERVES
Essa comparação ajuda a perceber que a mudança do radical não é um fenômeno exclusivo da palavra dormir.
Não crie uma regra grande demais
É tentador memorizar:
“Todo verbo terminado em -ir troca a vogal na primeira pessoa.”
Isso seria incorreto.
Compare:
- partir → eu parto;
- dividir → eu divido;
- assistir → eu assisto;
- dormir → eu durmo.
Portanto, o padrão deve ser associado aos verbos que realmente apresentam essa alternância.
Exemplos para não errar mais
Eu durmo cedo.
Correto.
Eu dormo cedo.
Inadequado na norma-padrão contemporânea.
Ela dorme cedo.
Correto.
Nós dormimos cedo.
Correto.
Espero que ele durma bem.
Correto.
Espero que ele dorma bem.
Inadequado na norma-padrão.
Ontem eu dormi cedo.
Correto.
Ontem eu durmi cedo.
Inadequado.
Amanhã dormirei mais cedo.
Correto.
Durma bem!
Correto.
Um macete rápido para memorizar
Guarde esta sequência curta:
HOJE EU DURMO.
ONTEM EU DORMI.
ELE DORME.
QUE ELE DURMA.
Ela reúne quatro formas muito frequentes e ajuda a perceber quando encontramos O e quando encontramos U.
Outro padrão eficiente é:
EU DURMO
ELE DORME
Se a dúvida surgir em uma prova, pergunte primeiro quem é o sujeito.
Se for:
EU
no presente do indicativo, use:
DURMO.
Se for:
ELE / ELA / VOCÊ
use:
DORME.
Assim, a resposta deixa de depender apenas da memória visual e passa a ser recuperada pela estrutura do paradigma verbal.
Referências
- ESCREVER CERTO. Durmo ou dormo. Material utilizado como ponto de partida para a questão. Apresenta durmo como a primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo dormir e destaca a alternância do radical em formas como durma e durmamos. Disponível em: Escrever Certo .
- DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA. Conjugação do verbo dormir. Registra o paradigma completo do verbo, incluindo durmo, dormes, dorme, dormimos, dormis, dormem e o presente do subjuntivo durma, durmas, durmamos, durmais, durmam. Disponível em: Priberam .
- PORTAL DA LÍNGUA PORTUGUESA. Dormir — verbo. Apresenta a conjugação de dormir e registra durmo como primeira pessoa do presente do indicativo. Disponível em: Portal da Língua Portuguesa .
- INFOPÉDIA — PORTO EDITORA. Dormir. Registra significados do verbo e seu paradigma, incluindo durmo, dorme, durma e outras formas flexionadas. Disponível em: Infopédia .
- CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Alternância vocálica do verbo subir. O texto compara a flexão de verbos como subir e fugir à de ferir e dormir, destacando formas como firo e durmo em contraste com feres e dormes. Disponível em: Ciberdúvidas .
- CIBERDÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA. A sintaxe do verbo deixar. Material que utiliza a forma durma em construções do presente do subjuntivo, como que eu durma. Disponível em: Ciberdúvidas .
- INSTITUTO CAMÕES. A flexão verbal do português. Estudo histórico sobre a evolução dos paradigmas verbais portugueses, útil para compreender que as formas atuais resultam de processos históricos de mudança linguística. Disponível em: Instituto Camões .
- BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Obra de referência para morfologia, flexão verbal, radical e irregularidade dos verbos.
- CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon. Obra de referência para o estudo das conjugações, formas verbais, tempos e modos do português.

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