Nos primeiros dias de setembro de 2026, Moscou voltou ao centro das atenções internacionais. Em 4 de setembro, novas movimentações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Rússia foram noticiadas em meio às tentativas de negociação relacionadas à guerra na Ucrânia. Para quem acompanha rapidamente as notícias, palavras como “Rússia”, “Moscou”, “Kremlin” e até referências à antiga União Soviética podem acabar se misturando como se designassem a mesma realidade política ao longo do tempo. Não designam. A Rússia atual não é a União Soviética, e a União Soviética não era o Império Russo governado por Nicolau II. Para compreender como uma monarquia comandada por um czar deu lugar a uma experiência revolucionária que mudaria profundamente o século XX, precisamos voltar a 1917, ano em que a Rússia viveu não uma, mas duas grandes revoluções.
Esse detalhe já melhora bastante nossa leitura do assunto. Quando dizemos simplesmente “Revolução Russa”, estamos usando uma expressão ampla para designar um processo histórico composto por diferentes acontecimentos, grupos políticos, crises e disputas pelo poder.
É por isso que algumas perguntas escolares aparentemente simples podem esconder uma diferença histórica importante. A queda do czar e a tomada do poder pelos bolcheviques não ocorreram no mesmo momento.
Entre uma coisa e outra passaram-se aproximadamente oito meses de uma experiência política extremamente instável.
E oito meses, em uma revolução, podem parecer uma eternidade.
Antes da revolução havia um império comandado pelo czar
No início do século XX, a Rússia era um vasto império que ocupava territórios na Europa e na Ásia. Seu governante era o imperador Nicolau II, da dinastia Romanov, que havia assumido o trono em 1894.
O título tradicionalmente traduzido como czar estava associado à autoridade dos soberanos russos e deriva historicamente, assim como o alemão Kaiser, do nome latino Caesar.
Quando falamos em czarismo, portanto, estamos nos referindo ao sistema monárquico ligado ao poder dos imperadores russos.
A Rússia de Nicolau II não era uma democracia parlamentar semelhante às democracias contemporâneas. Apesar de reformas ocorridas durante seu reinado, o imperador continuava defendendo uma concepção fortemente autocrática de poder.
A sociedade russa, por outro lado, encontrava-se em transformação.
O país possuía uma enorme população camponesa, mas experimentava também processos de industrialização em cidades como São Petersburgo e Moscou. Trabalhadores industriais enfrentavam jornadas longas, baixos salários e condições precárias, enquanto no campo permaneciam tensões relacionadas à propriedade da terra e à pobreza.
Nesse ambiente cresceram diferentes correntes políticas: liberais, socialistas, revolucionários e defensores de reformas políticas mais profundas.
Não existia, portanto, apenas um grupo chamado genericamente de “revolucionários”.
Essa é uma simplificação que costuma atrapalhar bastante.
Liberais, socialistas-revolucionários, mencheviques e bolcheviques podiam se opor ao czarismo, mas não defendiam necessariamente o mesmo projeto político para a Rússia.
1905 foi um aviso de que a monarquia enfrentava uma crise profunda
A explosão de 1917 não apareceu do nada.
Doze anos antes, em 1905, o Império Russo já havia vivido uma grande onda de protestos, greves, motins e levantes.
Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em janeiro daquele ano, quando manifestantes marcharam em São Petersburgo levando reivindicações ao czar. Tropas abriram fogo contra a multidão.
O acontecimento ficou conhecido como Domingo Sangrento.
A violência enfraqueceu ainda mais a imagem paternal do imperador e contribuiu para uma onda revolucionária que atingiu diferentes partes do império.
Foi também nesse contexto que apareceram os sovietes, conselhos formados por representantes de trabalhadores e que voltariam a desempenhar enorme importância em 1917.
Diante da crise, Nicolau II fez concessões políticas e foi criada a Duma, uma instituição parlamentar.
Mas o czar não abandonou sua concepção de autoridade imperial, e os conflitos entre governo e oposição continuaram.
Por isso, alguns historiadores observam 1905 como uma espécie de antecedente fundamental das revoluções posteriores.
Não porque tudo o que aconteceu em 1917 já estivesse inevitavelmente determinado, mas porque muitas das tensões estavam claramente presentes.
1905 → crise do czarismo, greves, sovietes e reformas limitadas
1917 → colapso da monarquia e disputa pelo futuro político da Rússia
A Primeira Guerra Mundial tornou uma situação difícil ainda pior
Em 1914, a Rússia entrou na Primeira Guerra Mundial ao lado de França e Reino Unido contra as chamadas Potências Centrais.
A guerra submeteu o país a uma pressão gigantesca.
Milhões de homens foram mobilizados, a economia sofreu fortes perturbações e o exército russo acumulou enormes perdas humanas. Problemas de transporte e abastecimento agravaram a escassez de alimentos e combustíveis nas cidades.
A inflação corroía os salários.
As filas por pão aumentavam.
E o descontentamento já não ficava restrito aos opositores tradicionais do czar.
Setores da elite, políticos, militares e membros da própria aristocracia passaram a demonstrar crescente desconfiança em relação à capacidade do governo de conduzir o país.
Nicolau II tomou uma decisão particularmente arriscada em 1915: assumiu pessoalmente o comando supremo das forças armadas.
Politicamente, isso aproximou ainda mais sua imagem dos sucessos — e principalmente dos fracassos — militares.
Enquanto o czar permanecia frequentemente afastado da capital por causa do comando militar, a imperatriz Alexandra tornou-se alvo de forte desconfiança. A influência exercida na corte pelo religioso Grigori Rasputin também alimentou rumores, escândalos e críticas à monarquia.
Quando estudamos no DaAula o início da Primeira Guerra Mundial, vimos que a Revolução Russa ocorreu enquanto o conflito ainda estava em andamento. Essa sequência cronológica é essencial:
1914 → Rússia entra na Primeira Guerra Mundial
1917 → revoluções na Rússia
1918 → Rússia deixa formalmente a guerra
A guerra não foi a única causa das revoluções, mas intensificou profundamente problemas econômicos, políticos e sociais que já existiam.
Em fevereiro de 1917, uma crise de abastecimento tornou-se uma revolução
No começo de 1917, Petrogrado — nome então utilizado para São Petersburgo — enfrentava graves problemas de abastecimento.
Greves e manifestações cresceram durante fevereiro segundo o calendário russo utilizado naquele momento.
Em 23 de fevereiro pelo calendário juliano, correspondente a 8 de março no calendário gregoriano, trabalhadoras, especialmente do setor têxtil, participaram de manifestações por pão e contra a guerra.
O movimento se ampliou.
Operários abandonaram fábricas. Multidões ocuparam as ruas. Slogans econômicos passaram a conviver com exigências políticas contra a monarquia.
O governo inicialmente tentou reprimir os protestos.
Mas então ocorreu uma mudança decisiva: soldados da guarnição de Petrogrado começaram a se recusar a combater os manifestantes e passaram para o lado da revolta.
Quando um governo perde o controle das ruas e uma parte significativa das próprias forças armadas deixa de obedecer às ordens, a situação muda completamente.
Foi o que aconteceu.
Em questão de dias, a autoridade do regime imperial praticamente desmoronou na capital.
Por que chamamos de Revolução de Fevereiro se ela aconteceu em março?
Aqui aparece uma daquelas questões que fazem o aluno olhar a cronologia e pensar: “Professor, mas alguma coisa está errada”.
Não está.
A Rússia ainda utilizava o calendário juliano, enquanto boa parte da Europa Ocidental já seguia o calendário gregoriano.
No século XX havia uma diferença de 13 dias entre os dois sistemas.
Assim, acontecimentos registrados no final de fevereiro na Rússia correspondiam ao início de março no calendário gregoriano.
Por convenção histórica, continuamos utilizando os nomes:
REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO
aconteceu em fevereiro pelo calendário russo e em março pelo gregoriano.
REVOLUÇÃO DE OUTUBRO
aconteceu em outubro pelo calendário russo e em novembro pelo gregoriano.
A Rússia só adotaria oficialmente o calendário gregoriano depois da chegada dos bolcheviques ao poder.
Então, quando você encontrar livros dizendo “Revolução de Fevereiro, março de 1917”, não estamos diante de uma contradição. Estamos diante de dois calendários.
Nicolau II perdeu o trono e três séculos de domínio Romanov terminaram
Enquanto Petrogrado escapava ao controle do governo, Nicolau II encontrava-se fora da capital.
Generais e dirigentes políticos concluíram que manter o czar no poder poderia aprofundar ainda mais a crise.
Em 2 de março de 1917 pelo calendário juliano — 15 de março pelo calendário gregoriano — Nicolau II assinou sua abdicação.
Inicialmente, a sucessão envolvia seu filho Alexei, mas Nicolau acabou indicando seu irmão, o grão-duque Miguel.
Miguel não assumiu efetivamente o trono nas condições existentes.
Com isso, terminou o domínio da dinastia Romanov, que governava a Rússia havia pouco mais de trezentos anos.
Essa é uma distinção essencial na cronologia revolucionária:
QUEDA DO CZARISMO → REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO
TOMADA DO PODER PELOS BOLCHEVIQUES → REVOLUÇÃO DE OUTUBRO
Misturar os dois acontecimentos é provavelmente o erro mais comum quando esse assunto aparece em exercícios escolares.
A monarquia caiu, mas os bolcheviques ainda não governavam
Depois da abdicação do czar, surgiu um Governo Provisório formado inicialmente por políticos ligados à Duma.
A princípio, figuras liberais ocuparam posição importante no novo governo. Mais tarde, o socialista Aleksandr Kerensky assumiria papel cada vez mais central e se tornaria chefe do governo.
Ao mesmo tempo, em Petrogrado havia sido reorganizado o Soviete de Deputados Operários e Soldados.
A Rússia passou então por uma situação frequentemente denominada de duplo poder.
De um lado estava o Governo Provisório, que possuía instituições formais de governo.
De outro, os sovietes possuíam enorme influência sobre trabalhadores e soldados.
Nenhum dos dois controlava sozinho toda a situação política.
E havia uma questão capaz de desgastar rapidamente o novo governo: a guerra continuava.
Milhões de russos esperavam mudanças profundas depois da queda do czar. Trabalhadores reivindicavam melhores condições, camponeses pressionavam pela redistribuição de terras e soldados desejavam o fim de uma guerra extremamente destrutiva.
O Governo Provisório, entretanto, manteve a Rússia no conflito ao lado dos Aliados.
Essa decisão custaria caro politicamente.
Lenin voltou à Rússia propondo uma ruptura ainda mais profunda
Quando a monarquia caiu, Vladimir Lenin, importante dirigente bolchevique, encontrava-se no exílio.
Ele retornou à Rússia em abril de 1917.
Pouco depois apresentou as ideias que ficaram conhecidas como Teses de Abril.
Lenin rejeitava o apoio ao Governo Provisório e defendia uma transformação revolucionária muito mais profunda.
Entre os slogans associados ao programa bolchevique ganharam força ideias como:
PAZ
TERRA
PÃO
TODO PODER AOS SOVIETES
Essas palavras possuíam enorme força porque dialogavam diretamente com problemas concretos da população.
“Paz” falava ao soldado cansado da guerra.
“Terra” falava ao camponês.
“Pão” falava ao trabalhador urbano atingido pela escassez.
E “todo poder aos sovietes” transformava reivindicações econômicas em um projeto de poder político.
É um bom exemplo de como slogans políticos condensam projetos muito complexos em poucas palavras. Funciona em 1917 e continua funcionando na política contemporânea, diga-se de passagem.
Os bolcheviques não chegaram imediatamente ao poder
Entre fevereiro e outubro, a política russa atravessou várias crises.
Em julho ocorreram manifestações armadas em Petrogrado conhecidas como Dias de Julho. O governo conseguiu controlar a situação, e os bolcheviques enfrentaram repressão.
Lenin precisou deixar temporariamente a capital.
Parecia possível que o movimento tivesse sido derrotado.
Mas em agosto ocorreu outro episódio decisivo: o chamado caso Kornilov.
O general Lavr Kornilov, comandante-em-chefe do exército, entrou em conflito com Kerensky num contexto em que setores conservadores temiam o crescimento da revolução.
A ameaça de uma ação militar contra Petrogrado levou o governo a recorrer inclusive a forças ligadas aos sovietes e aos bolcheviques para organizar a defesa da capital.
Politicamente, o resultado favoreceu os bolcheviques.
Eles passaram a aparecer para muitos trabalhadores e soldados como defensores da revolução contra uma possível contrarrevolução.
Durante setembro, o partido conquistou maior influência nos sovietes de Petrogrado e Moscou.
A situação estava preparada para uma nova ruptura.
Outubro de 1917 foi uma revolução diferente da de fevereiro
Na noite de 25 para 26 de outubro segundo o calendário juliano, correspondente a 7 e 8 de novembro no calendário gregoriano, forças ligadas aos bolcheviques ocuparam pontos estratégicos de Petrogrado.
Estações ferroviárias, pontes, instalações de comunicação e edifícios governamentais foram tomados.
O Governo Provisório encontrava-se instalado no Palácio de Inverno.
Após a ocupação do palácio, ministros do governo foram presos.
Kerensky conseguiu escapar.
Os bolcheviques anunciaram a transferência do poder para os sovietes e organizaram um novo governo, o Conselho dos Comissários do Povo, presidido por Lenin.
A partir daí começa outra etapa da história russa.
E aqui precisamos evitar uma narrativa excessivamente limpa.
A tomada de Petrogrado não significou que todos os habitantes do antigo Império Russo aceitaram imediatamente o novo governo.
Muito pelo contrário.
A disputa pelo poder desembocaria em uma longa e violenta Guerra Civil Russa.
Fevereiro e Outubro possuíam protagonistas e objetivos diferentes
É bastante útil comparar as duas revoluções de 1917.
A Revolução de Fevereiro nasceu de manifestações, greves, crise de abastecimento e motins militares que desestruturaram o regime czarista. Não foi simplesmente uma operação planejada pelos bolcheviques.
Os próprios bolcheviques foram surpreendidos pela velocidade dos acontecimentos.
Seu resultado imediato foi a queda da monarquia e a formação de um Governo Provisório.
A Revolução de Outubro, ao contrário, foi conduzida por forças bolcheviques em um cenário no qual o partido já havia ampliado significativamente sua influência.
Seu alvo político imediato não era Nicolau II — que já não governava havia meses —, mas o Governo Provisório.
É por isso que utilizar apenas a expressão “Revolução Russa derrubou o czar e colocou Lenin no poder” é correto apenas de maneira muito geral. Entre a queda de Nicolau II e o governo bolchevique houve um período fundamental de disputa política que não deve desaparecer da explicação.
A saída da Primeira Guerra também mudou o equilíbrio europeu
Uma das principais promessas dos bolcheviques era retirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial.
Depois da Revolução de Outubro, começaram negociações com as Potências Centrais.
Em 3 de março de 1918, o governo bolchevique assinou o Tratado de Brest-Litovsk com Alemanha e seus aliados.
O acordo retirou formalmente a Rússia da guerra, mas impôs enormes perdas territoriais e econômicas.
Para os bolcheviques, entretanto, a prioridade era manter o novo governo e enfrentar a crescente guerra civil.
Esse é justamente o ponto em que este assunto se conecta diretamente ao nosso artigo do DaAula sobre o início e o desenvolvimento da Primeira Guerra Mundial: a revolução não aconteceu isoladamente da guerra europeia; ela foi profundamente influenciada por ela e, por sua vez, alterou o próprio curso do conflito.
A Guerra Civil transformou a revolução em um processo ainda mais violento
Entre aproximadamente 1918 e 1921, diferentes forças combateram pelo controle do antigo território imperial.
O Exército Vermelho, associado ao governo bolchevique e organizado especialmente sob a liderança de Leon Trotsky, enfrentou forças geralmente agrupadas sob o nome de Exércitos Brancos.
Mas “brancos” não significa que todos defendessem exatamente a mesma coisa.
Havia monarquistas, republicanos, conservadores e diferentes adversários do bolchevismo.
Também existiam movimentos nacionalistas, forças camponesas, grupos anarquistas e intervenções estrangeiras.
A guerra foi acompanhada de fome, epidemias, repressão política e enorme mortalidade.
No fim, os bolcheviques conseguiram preservar o núcleo principal do antigo Império Russo sob seu controle.
Em 1922, foi formalmente criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas — URSS.
IMPÉRIO RUSSO
↓
REVOLUÇÕES DE 1917
↓
GUERRA CIVIL
↓
UNIÃO SOVIÉTICA — 1922
Essa sequência ajuda a evitar outro erro frequente: a União Soviética não surgiu automaticamente no momento em que Nicolau II perdeu o trono.
Foram necessários anos de revolução, guerra e reorganização política.
O destino da família imperial também se tornou parte da memória de 1917
Depois da abdicação, Nicolau II e sua família permaneceram sob custódia.
Primeiro foram mantidos em Tsarskoe Selo e depois transferidos para Tobolsk, na Sibéria.
Com o avanço da Guerra Civil e o fortalecimento das forças antibolcheviques em algumas regiões, a família foi levada para Ecaterimburgo.
Na madrugada de 17 de julho de 1918, Nicolau II, a imperatriz Alexandra, seus filhos e acompanhantes foram executados.
O episódio tornou-se um dos acontecimentos mais conhecidos e controversos do período revolucionário.
Décadas depois, especialmente após o fim da União Soviética, a memória de Nicolau II voltou a ser profundamente disputada na sociedade russa.
A Igreja Ortodoxa Russa canonizou Nicolau e sua família em 2000.
Isso é um ótimo lembrete de que personagens históricos não permanecem congelados dentro dos livros. A maneira como as sociedades lembram o passado também muda.
A Revolução Russa modificou todo o século XX
O impacto de 1917 ultrapassou enormemente as fronteiras russas.
Pela primeira vez, um partido marxista conquistou e conseguiu conservar o poder em um grande Estado.
A experiência soviética influenciaria partidos comunistas, movimentos operários, revoluções e lutas anticoloniais em diferentes partes do mundo.
Ao mesmo tempo, provocaria forte reação de governos conservadores, liberais e anticomunistas.
A partir da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética tornou-se uma das duas grandes superpotências do sistema internacional.
É nesse ponto que a Revolução Russa se conecta ao nosso artigo sobre a Guerra Fria.
Quando Estados Unidos e União Soviética passaram a disputar influência global depois de 1945, o Estado soviético já carregava quase três décadas de história desde a revolução bolchevique.
Ou seja:
1917 ajuda a entender 1945.
1945 ajuda a entender a Guerra Fria.
E conhecer ambos ajuda a evitar comparar automaticamente qualquer tensão atual entre Rússia e Ocidente a uma simples repetição do século XX.
Voltamos, então, às notícias de 2026.
A Rússia que participa hoje de negociações diplomáticas, guerras e disputas internacionais não é o Império Russo de Nicolau II e também não é a União Soviética de Lenin, Stalin ou Brezhnev.
O território possui continuidades históricas, naturalmente, mas suas instituições, sua ideologia oficial, suas fronteiras e seu sistema político sofreram transformações profundas.
É justamente por isso que a História é tão útil.
Ela nos impede de tratar nomes semelhantes como se fossem realidades idênticas.
E, convenhamos, já é uma vantagem enorme quando acompanhamos o noticiário.
Para quem quiser aprofundar esse período por meio de uma fonte escrita por alguém que presenciou os acontecimentos, uma leitura clássica é Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed. O jornalista norte-americano acompanhou a Revolução de Outubro e produziu um relato que se tornou uma das obras mais conhecidas sobre aqueles dias. Como toda fonte produzida por um participante e simpatizante de determinado lado político, o livro deve ser lido criticamente — e justamente por isso também é tão interessante para o estudo de História. Se quiser conhecer a obra, você pode procurar Dez Dias que Abalaram o Mundo e outras obras sobre a Revolução Russa na Amazon. O link utiliza o identificador de afiliado daaula-20 e uma compra qualificada pode gerar comissão para o DaAula, sem custo adicional para o comprador.
Referências
- REUTERS. Witkoff, Kushner heading abroad to discuss Ukraine peace, Trump says. Notícia publicada em 4 de setembro de 2026 sobre a retomada de movimentações diplomáticas envolvendo Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, utilizada como gancho contemporâneo na abertura do artigo. Disponível em: Reuters.
- UNITED STATES HOLOCAUST MEMORIAL MUSEUM. Russian Revolution, 1917. Material histórico sobre as duas revoluções ocorridas em 1917, a queda do governo imperial, a formação do Governo Provisório e a posterior ascensão dos bolcheviques. Disponível em: Holocaust Encyclopedia.
- LIBRARY OF CONGRESS. Czar Nicholas II: Topics in Chronicling America. Material sobre Nicolau II, último imperador russo, sua abdicação em março de 1917 e o encerramento de seu reinado. Disponível em: Library of Congress.
- LIBRARY OF CONGRESS. The Empire That Was Russia: Timeline. Cronologia histórica do Império Russo que registra a Revolução de Fevereiro, a abdicação de Nicolau II e os acontecimentos relacionados ao final do regime imperial. Disponível em: Library of Congress.
- THE NATIONAL ARCHIVES — UNITED KINGDOM. Spotlight On: Russian Revolution. Material educacional baseado em documentos de arquivo sobre as revoluções de fevereiro e outubro de 1917 e a abdicação de Nicolau II. Disponível em: The National Archives.
- 1914-1918 ONLINE — INTERNATIONAL ENCYCLOPEDIA OF THE FIRST WORLD WAR. Revolutions (Russian Empire). Estudo sobre a crise russa durante a Primeira Guerra Mundial, as greves, manifestações, motins militares, a Revolução de Fevereiro e a formação do Governo Provisório. Disponível em: 1914-1918 Online.
- 1914-1918 ONLINE — INTERNATIONAL ENCYCLOPEDIA OF THE FIRST WORLD WAR. Nicholas II, Emperor of Russia. Artigo sobre o último czar russo, sua relação com a Primeira Guerra Mundial, a Revolução de Fevereiro, a abdicação e seu posterior assassinato. Disponível em: 1914-1918 Online.
- UNITED STATES DEPARTMENT OF STATE — OFFICE OF THE HISTORIAN. Papers Relating to the Foreign Relations of the United States, 1918, Russia, Volume I. Coleção de documentos diplomáticos contemporâneos aos acontecimentos revolucionários, incluindo a abdicação de Nicolau II, o Governo Provisório, os sovietes, a Revolução de Outubro e o Tratado de Brest-Litovsk. Disponível em: Office of the Historian.
- DA AULA. Início da Primeira Guerra Mundial: Causas, Estopim e Consequências. Conteúdo relacionado sobre a participação russa na guerra e o agravamento das crises econômicas, militares e políticas que contribuíram para as revoluções de 1917. Disponível em: Acessar o artigo no DaAula.
- DA AULA. Guerra Fria: O Conflito entre Estados Unidos e União Soviética Explicado. Artigo relacionado para compreender a potência soviética que surgiu posteriormente e seu papel no sistema internacional do século XX. Disponível em: Acessar o artigo no DaAula.
- REED, John. Dez Dias que Abalaram o Mundo. Relato contemporâneo sobre os acontecimentos da Revolução de Outubro de 1917, escrito por um jornalista norte-americano que acompanhou os eventos em Petrogrado. Para consultar edições disponíveis: Amazon — link de afiliado do DaAula.

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