Quem Foi o Presidente Conhecido como “Pai dos Pobres”?

Entre todos os presidentes brasileiros, poucos deixaram uma imagem política tão duradoura quanto este. Seu nome aparece associado à industrialização, ao nacionalismo, à criação de instituições estatais e, sobretudo, à legislação relacionada ao trabalho. Foi nesse contexto que se difundiu um dos apelidos mais conhecidos da história política brasileira: “Pai dos Pobres”. Mas compreender essa expressão exige mais do que simplesmente decorar o nome de um presidente. É preciso entender como direitos trabalhistas, propaganda política, relações entre Estado e trabalhadores e a própria construção da imagem pública de Vargas se combinaram ao longo de décadas.

O presidente historicamente conhecido como “Pai dos Pobres” foi Getúlio Vargas. A associação está relacionada principalmente à política trabalhista desenvolvida durante seus governos e à construção de uma imagem de proximidade com os trabalhadores urbanos. Entretanto, uma análise histórica mais cuidadosa mostra que Vargas não “inventou” sozinho os direitos trabalhistas brasileiros: muitas reivindicações e algumas leis já existiam antes de 1930. Seu governo ampliou, reorganizou e centralizou essa legislação, ao mesmo tempo em que procurou estabelecer uma relação política direta entre o presidente, o Estado e os trabalhadores.

Qual presidente ficou conhecido como “Pai dos Pobres”?

Na pergunta apresentada na imagem, temos:

  • A) Juscelino Kubitschek
  • B) Getúlio Vargas
  • C) João Goulart
  • D) Luiz Inácio Lula da Silva

A resposta correta é B) Getúlio Vargas.

O apelido está historicamente ligado à maneira como Vargas passou a ser apresentado — e também reconhecido por parcelas da população — como um governante preocupado com os trabalhadores e com as camadas populares.

Para uma primeira associação, guarde:

GETÚLIO VARGAS → TRABALHISMO → LEGISLAÇÃO SOCIAL → “PAI DOS POBRES”.

Entretanto, essa fórmula deve servir apenas como ponto de partida. A relação entre Vargas e os trabalhadores foi muito mais complexa do que a expressão sugere.

Quem foi Getúlio Vargas?

Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 1882, e tornou-se uma das figuras centrais da política brasileira do século XX.

Sua trajetória presidencial possui uma característica importante: Vargas governou o Brasil em períodos politicamente muito diferentes.

Período Situação política
1930–1934 Governo Provisório, iniciado após a Revolução de 1930.
1934–1937 Governo Constitucional, após eleição indireta pela Assembleia Constituinte.
1937–1945 Estado Novo, regime ditatorial instaurado por Vargas.
1951–1954 Segundo governo, desta vez após vitória em eleição presidencial.

Essa divisão é importante porque impede um erro frequente: imaginar que todos os anos em que Vargas esteve no poder corresponderam ao mesmo regime político.

Por que Getúlio Vargas recebeu o apelido de “Pai dos Pobres”?

O apelido está ligado especialmente à política social e trabalhista desenvolvida durante a Era Vargas.

A partir de 1930, o Estado brasileiro passou a participar de maneira mais intensa da regulamentação das relações entre trabalhadores e empregadores. Ao longo desse processo, foram criadas ou fortalecidas instituições e normas relacionadas ao trabalho.

Entre os acontecimentos mais associados ao período estão:

  • a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930;
  • a regulamentação de diferentes categorias profissionais;
  • a expansão da carteira profissional;
  • a instituição do salário mínimo;
  • a organização da Justiça do Trabalho;
  • a Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943.

Essas medidas ajudaram a aproximar a imagem de Vargas da ideia de proteção social.

Para muitos trabalhadores urbanos, o presidente aparecia como a figura que transformava reivindicações sociais em normas reconhecidas pelo Estado.

O apelido era um título oficial?

Não.

“Pai dos Pobres” é um apelido político e histórico, não o nome de um cargo ou título oficial concedido durante seus governos.

Essa diferença é interessante porque existe, posteriormente, um título oficial relacionado a Vargas.

Em 1986, a Lei nº 7.470 concedeu a Getúlio Vargas o título de:

“Patrono dos Trabalhadores do Brasil”.

Portanto, não confunda:

Expressão Natureza
Pai dos Pobres Apelido político e histórico associado a Vargas.
Patrono dos Trabalhadores do Brasil Título concedido oficialmente pela Lei nº 7.470, de 1986.

Qual foi o papel da CLT nessa imagem?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é provavelmente o elemento mais conhecido da política trabalhista associada a Vargas.

Ela foi aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.

O próprio nome do documento fornece uma pista importante:

Consolidação das Leis do Trabalho.

“Consolidar” significa reunir, sistematizar e organizar.

Por isso, é historicamente impreciso imaginar que todas as normas presentes naquele sistema tenham surgido de uma única vez em 1943.

A CLT reuniu normas que já existiam, reorganizou a legislação trabalhista e também incorporou novas disposições.

Então Vargas não criou todos os direitos trabalhistas?

Não.

Essa é uma das correções mais importantes para quem deseja compreender o assunto de maneira historicamente mais rigorosa.

O movimento operário brasileiro já reivindicava melhores condições de trabalho décadas antes da chegada de Vargas à Presidência.

Durante as primeiras décadas do século XX ocorreram greves, mobilizações sindicais e debates envolvendo:

  • limitação da jornada de trabalho;
  • descanso semanal;
  • condições de segurança;
  • proteção de mulheres e menores;
  • remuneração;
  • organização dos trabalhadores.

A Greve Geral de 1917, especialmente forte em São Paulo, é um dos episódios mais conhecidos dessa história.

Também existiam leis sociais antes de 1930.

Portanto, uma explicação mais adequada é:

Vargas não criou sozinho a proteção trabalhista brasileira. Seus governos centralizaram, ampliaram, institucionalizaram e reorganizaram uma série de demandas e normas que faziam parte de uma história social anterior.

Por que essa diferença é importante?

Porque existe uma diferença entre dizer:

“Vargas deu direitos aos trabalhadores.”

e dizer:

“Durante os governos Vargas, o Estado ampliou e institucionalizou direitos trabalhistas que também estavam relacionados a décadas de mobilização e reivindicação dos próprios trabalhadores.”

A segunda formulação permite enxergar os trabalhadores como participantes da história, e não apenas como pessoas que receberam passivamente benefícios concedidos pelo governo.

É justamente nesse ponto que a pesquisa histórica contemporânea costuma problematizar a ideia de que os direitos sociais teriam sido simplesmente uma “dádiva” presidencial.

O que mudou na relação entre Estado e trabalhadores?

Uma das transformações mais importantes da Era Vargas foi a ampliação da participação do Estado na regulamentação das relações de trabalho.

Isso significava que questões antes enfrentadas principalmente por trabalhadores, sindicatos e empregadores passaram cada vez mais a ser mediadas por leis, ministérios e instituições públicas.

Um exemplo importante foi a Justiça do Trabalho.

Prevista na Constituição de 1934, organizada posteriormente e oficialmente instalada em 1941, ela criou uma estrutura especializada para lidar com conflitos entre empregados e empregadores.

Temos, portanto, uma transformação institucional:

RELAÇÕES DE TRABALHO → REGULAMENTAÇÃO ESTATAL → INSTITUIÇÕES ESPECIALIZADAS.

O salário mínimo também está relacionado a Vargas?

Sim.

O salário mínimo tornou-se outro elemento importante da política trabalhista varguista e foi regulamentado nacionalmente em 1940.

O tema possuía também grande valor simbólico: o Estado apresentava-se como responsável por estabelecer parâmetros mínimos para a remuneração dos trabalhadores.

Medidas desse tipo contribuíam para fortalecer a identificação política entre o governo Vargas e parcelas da população assalariada urbana.

Por que o dia 1º de maio aparece tantas vezes?

Quando estudamos a política trabalhista de Vargas, uma data aparece repetidamente:

1º de maio — Dia do Trabalhador.

Durante o período varguista, grandes cerimônias públicas realizadas nessa data tornaram-se oportunidades para discursos presidenciais e anúncios relacionados à política social.

Alguns exemplos ajudam a perceber o padrão:

Ano Acontecimento associado
1940 Regulamentação do salário mínimo.
1941 Instalação oficial da Justiça do Trabalho.
1943 Aprovação da Consolidação das Leis do Trabalho.

A repetição da data não era irrelevante.

Ela ajudava a associar simbolicamente o governo às comemorações do mundo do trabalho.

“Trabalhadores do Brasil”: por que essa expressão ficou famosa?

Vargas frequentemente procurava falar diretamente aos trabalhadores em seus pronunciamentos públicos.

A fórmula:

“Trabalhadores do Brasil…”

ficou fortemente associada a seus discursos.

O recurso ajudava a construir a impressão de uma comunicação direta entre o chefe do governo e a população trabalhadora.

Não se tratava apenas de informar uma nova lei.

Politicamente, o pronunciamento apresentava o presidente como interlocutor direto daqueles trabalhadores.

Essa estratégia de comunicação é fundamental para compreender por que a imagem de Vargas permaneceu tão forte na memória política brasileira.

Qual foi o papel da propaganda?

Durante o Estado Novo, a construção da imagem de Vargas não dependia apenas das medidas trabalhistas.

O governo também desenvolveu um amplo aparato de comunicação e propaganda.

Em 1939, foi criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

O órgão atuava na divulgação das realizações governamentais e também no controle e na censura de diferentes meios de comunicação.

Publicações, rádio, cinema, cerimônias cívicas e materiais educativos podiam ser utilizados para divulgar uma determinada representação do governo e de seu líder.

Assim, a imagem de Vargas como protetor dos trabalhadores deve ser entendida a partir da combinação de dois processos:

POLÍTICA TRABALHISTA + CONSTRUÇÃO DA IMAGEM PÚBLICA.

Então o “Pai dos Pobres” foi apenas propaganda?

Essa conclusão também seria simplificadora.

A propaganda política teve papel importante na formação da imagem presidencial, mas isso não significa que a política trabalhista fosse apenas fictícia.

Foram criadas normas, instituições e mecanismos jurídicos concretos que alteraram as relações de trabalho no país.

Ao mesmo tempo, essas realizações eram utilizadas politicamente para fortalecer a legitimidade do governo.

Por isso, não precisamos escolher entre duas explicações extremas:

  • “os trabalhadores receberam tudo espontaneamente de Vargas”;
  • ou “tudo não passou de propaganda”.

Historicamente, os dois processos se relacionavam.

Existiam políticas sociais reais, reivindicações anteriores dos trabalhadores, interesses do Estado, formas de controle sindical e estratégias de propaganda ocorrendo simultaneamente.

Como Vargas podia defender trabalhadores e governar uma ditadura?

Esse aparente contraste é essencial para compreender a Era Vargas.

Entre 1937 e 1945, Vargas governou durante o Estado Novo, um regime autoritário.

Nesse período:

  • o Congresso Nacional foi fechado;
  • partidos políticos foram proibidos;
  • houve censura à imprensa;
  • opositores foram perseguidos;
  • o Poder Executivo foi fortemente centralizado.

Ao mesmo tempo, foi justamente durante esse período que importantes medidas trabalhistas foram institucionalizadas.

Isso mostra por que estudar Vargas exige evitar classificações simples como “bom” ou “ruim”.

Um mesmo governo pode ampliar determinados direitos sociais enquanto restringe direitos políticos e liberdades civis. Esses fenômenos não são historicamente incompatíveis.

E os sindicatos? Vargas simplesmente fortaleceu os trabalhadores?

A política sindical varguista também tinha duas dimensões.

De um lado, o Estado reconhecia e regulamentava a organização dos trabalhadores.

De outro, estabelecia mecanismos de controle sobre os sindicatos.

O modelo sindical desenvolvido durante o período aproximava as organizações trabalhistas do Ministério do Trabalho e limitava determinadas formas de autonomia política.

Portanto, a relação pode ser resumida assim:

RECONHECIMENTO + DIREITOS + REGULAMENTAÇÃO + CONTROLE.

Essa fórmula ajuda a compreender por que a política trabalhista de Vargas continua sendo objeto de debates entre historiadores.

O que significa “trabalhismo”?

O termo trabalhismo tornou-se importante na política brasileira especialmente a partir da experiência varguista.

De maneira geral, podemos associá-lo à construção de uma política voltada para a valorização do trabalho, da legislação social, da intervenção estatal nas relações trabalhistas e da aproximação política com os trabalhadores urbanos.

Depois do fim do Estado Novo, essa tradição ganharia continuidade partidária, principalmente com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Por isso, quando uma questão de História mencionar:

  • Vargas;
  • PTB;
  • trabalhismo;
  • legislação social;
  • sindicatos;
  • trabalhadores urbanos;

é provável que esteja tratando de elementos relacionados de uma mesma tradição política.

Vargas foi um “presidente populista”?

O conceito de populismo aparece frequentemente em livros escolares para explicar governos latino-americanos que estabeleceram forte comunicação com as massas urbanas e desenvolveram políticas sociais e nacionalistas.

Getúlio Vargas costuma ser um dos principais exemplos brasileiros.

Entretanto, o termo deve ser utilizado com cuidado.

Parte da historiografia questionou interpretações que apresentavam os trabalhadores simplesmente como massas manipuladas por líderes carismáticos.

Pesquisas posteriores destacaram que trabalhadores também possuíam interesses próprios, reivindicavam direitos, pressionavam governos, apropriavam-se das leis existentes e faziam escolhas políticas.

Por isso, em uma análise histórica mais aprofundada, é interessante perceber que:

apoio popular não significa necessariamente manipulação completa.

A relação política envolve negociação, interesses, expectativas e conflitos.

Nem todos os direitos que conhecemos hoje são da Era Vargas

Outro erro frequente é atribuir praticamente toda a legislação trabalhista brasileira a Getúlio Vargas.

Diversos direitos conhecidos atualmente surgiram depois de sua morte, em 1954.

Medida Data de referência Relação com Vargas
Salário mínimo 1940 Era Vargas
Justiça do Trabalho instalada em 1941 Era Vargas
CLT 1943 Era Vargas
13º salário 1962 Posterior a Vargas
FGTS década de 1960 Posterior a Vargas

Essa cronologia é extremamente útil em vestibulares.

Se uma alternativa disser que Vargas criou o 13º salário, por exemplo, há um problema cronológico: ele morreu em 1954, enquanto o benefício foi instituído posteriormente.

O segundo governo Vargas foi diferente?

Sim.

Quando Vargas retornou à Presidência em 1951, a situação política era diferente daquela do Estado Novo.

Dessa vez, ele havia vencido uma eleição presidencial.

Seu segundo governo manteve elementos trabalhistas e nacionalistas e buscou novamente fortalecer sua aproximação com setores populares.

Também foi nesse período que se aprofundaram disputas envolvendo desenvolvimento econômico, participação do capital estrangeiro, petróleo, salários e oposição política.

A trajetória terminou em 24 de agosto de 1954, com o suicídio do presidente no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

Sua morte produziu enorme repercussão política e contribuiu para fortalecer ainda mais sua presença na memória nacional.

Por que Juscelino Kubitschek não é a resposta?

Juscelino Kubitschek foi presidente entre 1956 e 1961 e está associado principalmente ao desenvolvimentismo.

Entre as expressões mais lembradas de seu governo está:

“50 anos em 5”.

Seu governo também ficou profundamente associado à construção de Brasília, inaugurada em 1960.

Assim:

JUSCELINO KUBITSCHEK → DESENVOLVIMENTISMO → “50 ANOS EM 5” → BRASÍLIA.

Não é o presidente historicamente identificado pelo apelido “Pai dos Pobres”.

Por que João Goulart pode causar confusão?

A alternativa João Goulart é mais interessante como distração.

Conhecido como Jango, ele teve uma ligação política próxima com Vargas e tornou-se uma figura importante do trabalhismo brasileiro.

Goulart foi ministro do Trabalho durante o segundo governo Vargas e posteriormente chegou à Presidência da República.

Seu governo ficou especialmente associado às chamadas Reformas de Base, que envolviam propostas de mudanças agrárias, tributárias, educacionais e institucionais.

Portanto:

JOÃO GOULART → JANGO → TRABALHISMO → REFORMAS DE BASE.

Ele pertence à tradição política influenciada por Vargas, mas não é o presidente conhecido historicamente como “Pai dos Pobres”.

E Luiz Inácio Lula da Silva?

Luiz Inácio Lula da Silva possui uma trajetória política fortemente relacionada ao movimento dos trabalhadores, especialmente por sua atuação como líder sindical no ABC paulista antes de chegar à Presidência.

Por essa razão, sua presença como alternativa pode parecer plausível para quem associa a expressão “Pai dos Pobres” apenas a políticas voltadas às camadas populares.

Mas a questão cobra um apelido histórico específico.

Nesse caso:

“PAI DOS POBRES” → GETÚLIO VARGAS.

O segredo é identificar que a pergunta não solicita qual presidente desenvolveu políticas sociais, mas qual figura histórica ficou conhecida especificamente por aquela expressão.

Como esse assunto pode aparecer em vestibulares?

Exemplo 1 — identificação direta

O presidente brasileiro conhecido historicamente como “Pai dos Pobres”, em razão de sua forte associação política com a legislação trabalhista, foi:

  • A) Eurico Gaspar Dutra
  • B) Getúlio Vargas
  • C) Juscelino Kubitschek
  • D) João Goulart

Resposta: B) Getúlio Vargas.

Exemplo 2 — CLT

A Consolidação das Leis do Trabalho foi aprovada durante:

  • A) a Primeira República;
  • B) o Estado Novo;
  • C) o governo Juscelino Kubitschek;
  • D) a ditadura militar iniciada em 1964.

Resposta: B) o Estado Novo.

Exemplo 3 — interpretação histórica

Sobre a legislação trabalhista brasileira durante a Era Vargas, é historicamente mais adequado afirmar que:

  • A) todos os direitos dos trabalhadores brasileiros foram criados exclusivamente por Vargas;
  • B) antes de 1930 não existiam movimentos operários no Brasil;
  • C) o governo Vargas ampliou e sistematizou uma legislação social que também estava relacionada a reivindicações e experiências anteriores;
  • D) a CLT eliminou completamente o controle estatal sobre os sindicatos.

Resposta: C.

Exemplo 4 — Estado Novo

Uma característica importante do Estado Novo foi a combinação entre:

  • A) liberalismo econômico absoluto e ausência de intervenção estatal;
  • B) descentralização política e liberdade partidária irrestrita;
  • C) autoritarismo político, intervenção estatal e expansão da legislação social;
  • D) extinção das políticas trabalhistas.

Resposta: C.

Exemplo 5 — cronologia

Qual das medidas abaixo pertence ao período Vargas?

  • A) criação do FGTS;
  • B) criação do 13º salário;
  • C) Consolidação das Leis do Trabalho;
  • D) Constituição de 1988.

Resposta: C) Consolidação das Leis do Trabalho.

Como achar padrões e não se confundir mais?

Para responder perguntas desse tipo, não tente decorar apenas listas de presidentes.

Associe cada personagem a um conjunto histórico específico.

Presidente Palavra ou expressão-chave Associação histórica
Getúlio Vargas Pai dos Pobres trabalhismo, CLT, Estado Novo
Juscelino Kubitschek 50 anos em 5 desenvolvimentismo, Brasília
João Goulart Reformas de Base trabalhismo, crise política anterior a 1964
Luiz Inácio Lula da Silva movimento sindical ABC paulista, sindicalismo, Partido dos Trabalhadores

Padrão 1 — identifique a palavra mais específica da pergunta

Em uma questão como:

“Qual presidente ficou conhecido como ‘Pai dos Pobres’?”

a expressão decisiva não é:

“pobres”.

A expressão decisiva é:

“Pai dos Pobres”.

Isso muda completamente a lógica da resposta.

Vários governos brasileiros desenvolveram políticas destinadas à população de baixa renda. Mas apenas um presidente está tradicionalmente associado a esse apelido histórico:

Getúlio Vargas.

Padrão 2 — transforme cada presidente em três palavras

Uma estratégia simples é criar pequenos conjuntos mentais:

VARGAS → TRABALHISMO → CLT → PAI DOS POBRES.

JK → BRASÍLIA → DESENVOLVIMENTISMO → 50 ANOS EM 5.

JANGO → TRABALHISMO → REFORMAS DE BASE → 1964.

LULA → SINDICALISMO → ABC PAULISTA → PT.

Quando uma questão apresenta nomes historicamente próximos, essas associações ajudam a identificar rapidamente qual personagem pertence ao contexto descrito.

Padrão 3 — use a cronologia para eliminar alternativas

A cronologia resolve muitas questões antes mesmo de você conhecer todos os detalhes.

Guarde alguns marcos:

1930 → chegada de Vargas ao poder
1937 → início do Estado Novo
1940 → salário mínimo
1941 → instalação da Justiça do Trabalho
1943 → CLT
1945 → fim do Estado Novo
1951 → retorno de Vargas à Presidência
1954 → morte de Vargas

Agora observe como isso pode eliminar alternativas.

Se a pergunta fala em CLT, Estado Novo e década de 1940, não pode estar descrevendo o governo de Juscelino Kubitschek, que começou apenas em 1956.

Padrão 4 — cuidado com direitos que surgiram depois de Vargas

Outro macete importante:

nem todo direito trabalhista brasileiro = Era Vargas.

Guarde especialmente:

CLT → 1943 → VARGAS
13º SALÁRIO → 1962 → DEPOIS DE VARGAS
FGTS → DÉCADA DE 1960 → DEPOIS DE VARGAS

Isso ajuda muito quando a prova mistura conquistas sociais de diferentes períodos.

Padrão 5 — direitos sociais e democracia não são a mesma coisa

Uma das melhores formas de compreender a Era Vargas é separar duas dimensões:

Dimensão social Dimensão política durante o Estado Novo
legislação trabalhista Congresso fechado
salário mínimo censura
Justiça do Trabalho partidos proibidos
CLT centralização autoritária

Se uma questão disser que a criação de leis trabalhistas significa que o Estado Novo era uma democracia, a conclusão está errada.

A existência de políticas sociais não elimina o caráter autoritário daquele regime.

Um macete final para memorizar

Quando encontrar o nome:

GETÚLIO VARGAS

pense imediatamente em:

1930
ESTADO NOVO
TRABALHISMO
SALÁRIO MÍNIMO
JUSTIÇA DO TRABALHO
CLT
“PAI DOS POBRES”

Depois acrescente uma última informação para evitar simplificações:

OS DIREITOS TRABALHISTAS NÃO COMEÇARAM COM VARGAS.

Essa frase permite memorizar a associação cobrada nas provas sem apagar a participação histórica dos movimentos de trabalhadores que reivindicavam direitos antes e durante a Era Vargas.

Referências

  1. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Os presidentes da Era Vargas. Apresenta a trajetória presidencial de Getúlio Vargas e registra sua associação histórica ao apelido “Pai dos Pobres” em razão de políticas trabalhistas e populares. Disponível em: Câmara dos Deputados .
  2. FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS — CPDOC. Getúlio Vargas. Biografia e documentação histórica sobre a trajetória política de Vargas, sua participação na Revolução de 1930, seus governos e sua atuação política. Disponível em: FGV CPDOC .
  3. BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Documento oficial que aprova a Consolidação das Leis do Trabalho e estabelece normas relativas às relações individuais e coletivas de trabalho. Disponível em: Planalto — Consolidação das Leis do Trabalho .
  4. SENADO FEDERAL. CLT chega aos 80 anos com direitos do trabalhador sob disputa. Material histórico sobre a criação da CLT, as reivindicações operárias anteriores ao governo Vargas e o desenvolvimento posterior dos direitos trabalhistas brasileiros. Disponível em: Senado Federal .
  5. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO. História da Justiça do Trabalho. Apresenta o desenvolvimento institucional da Justiça do Trabalho, sua previsão constitucional em 1934, organização posterior e instalação oficial em 1941. Disponível em: Tribunal Superior do Trabalho .
  6. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO. A Revolução de 1930, a institucionalização do Direito do Trabalho e a criação do Ministério do Trabalho. Material histórico sobre a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e a estruturação da política trabalhista a partir de 1930. Disponível em: TST — Memória Viva .
  7. ARQUIVO NACIONAL — REVISTA ACERVO. As publicações da Divisão de Divulgação do Departamento de Imprensa e Propaganda. Estudo sobre a atuação do DIP e sobre a importância da produção editorial e da propaganda política durante o Estado Novo. Disponível em: Revista Acervo — Arquivo Nacional .
  8. BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA — BIBLIOTECA DA PRESIDÊNCIA. 1º de maio de 1943 — O patriotismo do trabalhador brasileiro e a política trabalhista do governo. Registro do discurso de Getúlio Vargas no Dia do Trabalhador de 1943, importante fonte primária para compreender a linguagem política dirigida aos trabalhadores. Disponível em: Biblioteca da Presidência da República .
  9. BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei nº 7.470, de 29 de abril de 1986. Lei que concedeu oficialmente a Getúlio Vargas o título de “Patrono dos Trabalhadores do Brasil”. Disponível em: Planalto — Lei nº 7.470/1986 .
  10. CÂMARA DOS DEPUTADOS — BIBLIOTECA DIGITAL. A ação política dos intelectuais no Brasil (1930–1945). Estudo sobre a Era Vargas que aborda a centralização estatal, o nacionalismo, a legislação social, a relação com sindicatos e as limitações às liberdades políticas. Disponível em: Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados .
  11. FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS — CPDOC. João Goulart. Biografia utilizada para contextualizar a ligação de Jango com Vargas, o PTB e a tradição trabalhista brasileira. Disponível em: FGV CPDOC .

Comentários

Uma resposta para “Quem Foi o Presidente Conhecido como “Pai dos Pobres”?”

  1. […] Quem Foi o Presidente Conhecido como “Pai dos Pobres”? […]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *