Romantismo no Brasil: Características, Gerações e Principais Autores

O Romantismo brasileiro desenvolveu-se no século XIX em um contexto no qual o país, recém-independente, buscava também construir símbolos culturais capazes de representar uma identidade nacional. Por isso, nacionalismo, valorização da natureza brasileira e representação idealizada do indígena tornaram-se elementos muito importantes de sua vertente indianista. Entretanto, o movimento não se resume a essas características: subjetividade, sentimentalismo, amor idealizado, melancolia, religiosidade e, posteriormente, preocupações sociais também aparecem em diferentes autores e momentos. Entender essas diferenças é fundamental para reconhecer o Romantismo em vestibulares sem depender apenas da memorização de listas.

Qual era uma das principais características do Romantismo no Brasil?

Questão de Literatura

O Romantismo no Brasil teve como uma de suas principais características:

  1. A valorização da razão e da objetividade científica
  2. O nacionalismo e a idealização da natureza e do indígena
  3. A crítica social direta e o pessimismo existencial
  4. A linguagem rebuscada e o culto à forma clássica

A alternativa correta é:

B) O nacionalismo e a idealização da natureza e do indígena.

Essa resposta está especialmente relacionada à vertente nacionalista e indianista do Romantismo brasileiro.

ROMANTISMO BRASILEIRO

BUSCA DE IDENTIDADE NACIONAL

NATUREZA BRASILEIRA
+
INDÍGENA COMO HERÓI LITERÁRIO

Uma observação importante sobre a pergunta

A alternativa B é a melhor resposta, mas não devemos concluir que todo texto romântico brasileiro apresenta indígenas, florestas e nacionalismo.

O Romantismo foi um movimento amplo, composto por autores, gêneros e tendências diferentes.

Quando uma questão objetiva pergunta por uma “principal característica”, geralmente procura um elemento capaz de distinguir aquela escola literária das demais. No caso brasileiro, nacionalismo, natureza e indianismo são particularmente importantes porque se relacionam à tentativa oitocentista de construir uma literatura nacional.

Em outros textos românticos, porém, podemos encontrar:

  • melancolia;
  • individualismo;
  • subjetividade;
  • idealização amorosa;
  • religiosidade;
  • meditação sobre a morte;
  • escapismo;
  • ironia;
  • crítica social;
  • abolicionismo.

O que foi o Romantismo?

O Romantismo foi um amplo movimento cultural e artístico que se desenvolveu principalmente entre o final do século XVIII e o século XIX, alcançando literatura, pintura, música e outras formas de expressão.

Em linhas gerais, a estética romântica reagiu à valorização excessiva de regras e modelos clássicos, concedendo maior espaço à subjetividade, à imaginação, ao sentimento e à liberdade criativa.

Tendência Romantismo
Indivíduo Valorização da subjetividade e das emoções.
Criação artística Maior liberdade em relação aos modelos clássicos.
Natureza Pode refletir sentimentos e adquirir valor simbólico.
Passado Pode ser idealizado como fonte de identidade.
Nação Frequentemente associada à busca de tradições e heróis nacionais.
Sentimento Amor, saudade, melancolia, desejo e sofrimento ganham destaque.

Quando começou o Romantismo no Brasil?

O marco tradicionalmente utilizado pela história literária brasileira é o ano de 1836.

Nesse ano, Domingos José Gonçalves de Magalhães publicou em Paris:

Suspiros poéticos e saudades

A obra passou a ser considerada um marco inicial do Romantismo brasileiro.

No mesmo ambiente intelectual, Magalhães participou da publicação da revista Niterói e escreveu Discurso sobre a literatura no Brasil, textos associados ao projeto de renovação da literatura nacional.

1822 — Independência do Brasil O país rompe politicamente com Portugal e intensifica a busca por símbolos próprios de nacionalidade.
1836 — marco literário Gonçalves de Magalhães publica Suspiros poéticos e saudades.
Décadas de 1840 e 1850 Nacionalismo e indianismo ganham grande importância na poesia e na prosa.
Segunda metade do século XIX O movimento amplia seus temas, incluindo subjetividade extrema, poesia social e abolicionismo.

Por que o nacionalismo foi tão importante?

O Brasil havia se tornado politicamente independente em 1822, mas uma questão cultural permanecia:

O QUE PODERIA REPRESENTAR
UMA LITERATURA BRASILEIRA?

Escritores e intelectuais passaram a procurar elementos que permitissem distinguir culturalmente o Brasil de Portugal e de outras tradições europeias.

Nesse projeto, ganharam importância:

  • a paisagem tropical;
  • as florestas;
  • a fauna e a flora;
  • os povos indígenas;
  • a história colonial;
  • as particularidades regionais;
  • a língua e os costumes locais.

O nacionalismo romântico não consistia apenas em “gostar do Brasil”. Tratava-se também de um projeto de representação cultural da nação: selecionar paisagens, personagens, episódios históricos e símbolos capazes de compor literariamente uma imagem do país.

Qual é a importância da natureza no Romantismo brasileiro?

A natureza pode desempenhar diferentes funções no texto romântico.

No caso brasileiro, ela frequentemente participa da construção de uma paisagem identificada como nacional.

Natureza como pátria

Palmeiras, florestas, rios, céus e outros elementos podem funcionar como sinais de pertencimento ao Brasil.

Natureza idealizada

A paisagem pode aparecer mais bela, grandiosa ou harmoniosa do que em uma descrição documental da realidade.

Natureza e emoção

O cenário pode acompanhar saudade, amor, solidão, melancolia ou entusiasmo do eu lírico.

Natureza como símbolo

A paisagem ultrapassa a descrição geográfica e passa a adquirir significado cultural e afetivo.

“Canção do Exílio” ajuda a entender esse padrão

Um dos textos mais conhecidos do Romantismo brasileiro é “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias.

O poema foi escrito quando o autor estava em Coimbra e constrói uma comparação afetiva entre a terra distante e o Brasil.

Para uma questão de vestibular, observe a combinação:

SAUDADE
+
PÁTRIA
+
PAISAGEM BRASILEIRA
=
NACIONALISMO ROMÂNTICO

A natureza, portanto, não funciona apenas como cenário: participa da construção emocional da ideia de pátria.

O que foi o indianismo?

O indianismo foi uma importante vertente do Romantismo brasileiro que transformou personagens indígenas em figuras centrais da construção literária da nacionalidade.

Entre seus autores mais conhecidos estão:

Gonçalves Dias

Destacou-se principalmente na poesia. Entre seus textos indianistas estão I-Juca-Pirama e Os Timbiras.

José de Alencar

Na prosa, produziu romances como O Guarani e Iracema.

A escolha do indígena como símbolo nacional tinha relação com a busca romântica por um passado próprio. Se parte do Romantismo europeu recorria ao cavaleiro medieval como figura heroica, autores brasileiros procuraram construir no indígena um equivalente ligado ao passado americano.

O indígena romântico era uma representação fiel dos povos indígenas?

Não necessariamente.

É justamente por isso que usamos a expressão idealização do indígena.

Personagens indianistas frequentemente recebem atributos como:

  • coragem excepcional;
  • honra;
  • lealdade;
  • força física;
  • nobreza moral;
  • heroísmo;
  • ligação intensa com a natureza.

Idealização não significa documentação etnográfica. O “indígena romântico” é uma construção literária produzida no século XIX e não deve ser automaticamente confundido com a diversidade histórica e cultural dos povos indígenas reais.

Essa distinção é muito importante em questões contemporâneas, que podem justamente problematizar a maneira pela qual a literatura construiu uma imagem simbólica do indígena.

Por que o indígena virou um herói nacional?

Havia um problema simbólico na construção de uma literatura nacional: como procurar uma figura ligada ao passado brasileiro sem simplesmente repetir os modelos portugueses?

O indianismo ofereceu uma resposta literária.

EUROPA ROMÂNTICA
→ CAVALEIRO MEDIEVAL

BRASIL ROMÂNTICO
→ INDÍGENA IDEALIZADO

Essa comparação ajuda a entender por que o personagem indígena frequentemente recebe características heroicas.

Mas essa construção nacional tinha contradições

Uma leitura mais aprofundada do indianismo deve observar que a criação de um símbolo nacional não significa necessariamente representar de forma igualitária todos os grupos existentes na sociedade brasileira do século XIX.

O Brasil romântico era também uma sociedade escravista. A população negra, central na vida econômica, social e cultural do país, não ocupou inicialmente o mesmo lugar simbólico atribuído ao indígena idealizado na literatura nacionalista.

Essa tensão permite que o estudante avance da simples identificação de características para uma questão crítica: quem foi selecionado para representar a nação e de que modo essa representação foi construída?

Mais tarde, especialmente na poesia social de Castro Alves, a escravidão e a condição das pessoas escravizadas ganhariam enorme destaque literário.

As três gerações do Romantismo brasileiro

Nos livros didáticos e vestibulares, a poesia romântica brasileira costuma ser organizada em três gerações.

Essa divisão é uma ferramenta didática. A história literária real é mais complexa: autores coexistem, influências se cruzam e nem toda obra cabe perfeitamente dentro de uma única categoria.

Geração Características associadas Autores lembrados em provas
1ª geração Nacionalismo, indianismo, natureza, patriotismo e construção da identidade nacional. Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias.
2ª geração Ultrarromantismo, subjetividade, melancolia, idealização amorosa, tédio, morte e “mal do século”. Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.
3ª geração Poesia social, liberdade, oratória, abolicionismo e condoreirismo. Castro Alves.

Primeira geração: a nação em primeiro plano

Para memorizar a primeira geração, pense na pergunta:

“COMO REPRESENTAR O BRASIL?”

Daí surgem associações com:

  • pátria;
  • natureza;
  • indígena;
  • saudade da terra;
  • passado nacional;
  • exaltação do país.

Pista para a prova: se o texto apresenta floresta brasileira, sentimento patriótico e indígena heroico, considere imediatamente a possibilidade de Romantismo nacionalista/indianista.

Segunda geração: o indivíduo em primeiro plano

A segunda geração costuma ser chamada de ultrarromântica.

Aqui, o foco se desloca com frequência da construção da nação para o universo interior do indivíduo.

1ª GERAÇÃO
“A PÁTRIA”

2ª GERAÇÃO
“O EU”

Entre os elementos associados à segunda geração estão:

  • melancolia;
  • solidão;
  • tédio;
  • idealização da mulher;
  • amor impossível;
  • sonho;
  • escapismo;
  • obsessão pela morte;
  • pessimismo;
  • influência de Byron.

Álvares de Azevedo é um dos nomes mais representativos dessa tendência.

Terceira geração: a sociedade entra no poema

Na terceira geração, ganha força uma poesia voltada para grandes temas públicos.

O nome central é Castro Alves.

LIBERDADE
+
ABOLICIONISMO
+
POESIA SOCIAL
+
TOM ORATÓRIO

A poesia de Castro Alves está profundamente associada à denúncia da escravidão e a ideais humanitários e libertários.

Entre suas obras mais lembradas estão:

  • O Navio Negreiro;
  • Vozes d’África;
  • Os Escravos;
  • Espumas Flutuantes.

O que é Condoreirismo?

A terceira geração também recebe o nome de condoreira.

O termo se relaciona ao condor, ave que, pela imagem de voo em grandes alturas, tornou-se símbolo poético de liberdade, amplitude e visão elevada.

Para memorizar: condor → altura → liberdade → Castro Alves.

O Romantismo não existiu apenas na poesia

Outro erro frequente é estudar apenas as três gerações poéticas e esquecer a importância do romance romântico.

A prosa brasileira do período explorou diferentes espaços e grupos sociais.

Tipo de romance Característica geral Exemplos/autores
Indianista Indígena, passado colonial e formação simbólica da nacionalidade. José de Alencar: O Guarani, Iracema.
Urbano Vida social, relações amorosas e costumes dos centros urbanos. José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo.
Regionalista Paisagens, costumes e personagens de diferentes regiões brasileiras. José de Alencar, Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay.
Histórico Recriação literária de épocas e acontecimentos do passado. Diversos romances oitocentistas.

José de Alencar e a construção literária do Brasil

José de Alencar é especialmente importante porque sua produção não se restringiu ao indianismo.

Seus romances procuraram representar diferentes espaços da sociedade e do território brasileiro.

No indianismo, entretanto, duas obras se tornaram fundamentais:

O Guarani

Publicado em 1857, apresenta Peri como personagem central em uma narrativa situada no período colonial.

Iracema

Publicado em 1865, articula amor, colonização, natureza e uma narrativa simbólica sobre origens nacionais.

Por que as outras alternativas estão erradas?

A) A valorização da razão e da objetividade científica

Não é a melhor caracterização do Romantismo.

De maneira geral, o movimento romântico valoriza justamente elementos como subjetividade, emoção e imaginação, em oposição à submissão rígida da criação artística à racionalidade e às regras clássicas.

A valorização do cientificismo e da observação objetiva será muito mais associada a tendências posteriores do século XIX, especialmente ao Naturalismo.

B) O nacionalismo e a idealização da natureza e do indígena

Correta.

Esses elementos estão intimamente ligados ao projeto de formação de uma literatura nacional, especialmente no indianismo e na vertente nacionalista do Romantismo.

C) A crítica social direta e o pessimismo existencial

Esta é a alternativa mais interessante e provavelmente a melhor pegadinha.

O problema é que ela reúne duas tendências que realmente aparecem no Romantismo, mas em vertentes diferentes.

PESSIMISMO / “MAL DO SÉCULO”
→ 2ª GERAÇÃO

CRÍTICA SOCIAL / ABOLICIONISMO
→ 3ª GERAÇÃO

Portanto, como definição geral das principais características do Romantismo brasileiro, B é muito mais adequada.

D) A linguagem rebuscada e o culto à forma clássica

O problema central está na expressão “culto à forma clássica”.

O Romantismo procurou ampliar a liberdade criativa e afastar-se da rígida obediência a modelos clássicos.

Isso não significa que nenhum romântico tenha utilizado formas tradicionais, mas esse culto formal não constitui a característica que melhor identifica o movimento.

Romantismo não é simplesmente “sentimentalismo”

É comum resumir o movimento dizendo: “Romantismo é emoção.”

A frase pode ajudar inicialmente, mas é insuficiente.

O movimento também se relaciona a:

  • construção das identidades nacionais;
  • transformações políticas do século XIX;
  • individualismo;
  • novas concepções de artista e criação;
  • relações entre história e literatura;
  • formação de públicos leitores;
  • expansão do romance;
  • debates sobre liberdade;
  • representações sociais e culturais da nação.

Uma escola literária não deve ser tratada como uma lista imutável de características. As categorias ajudam a reconhecer tendências predominantes, mas cada obra precisa ser analisada em sua organização específica e em seu contexto histórico.

Idealização: uma palavra-chave para entender o Romantismo

Se existe um conceito que ajuda a interpretar muitas obras românticas, é idealização.

O objeto representado pode ser reconstruído segundo valores, desejos e expectativas do sujeito.

Elemento Possível idealização romântica
Pátria Terra superior, bela e digna de admiração.
Natureza Paisagem grandiosa, harmoniosa ou emocional.
Indígena Herói corajoso, nobre e virtuoso.
Amor Sentimento absoluto ou impossível.
Mulher amada Figura frequentemente elevada a um ideal.
Passado Época reconstruída como fonte de identidade ou heroísmo.

Romantismo x Realismo: um contraste útil

Uma das formas mais eficientes de reconhecer uma escola literária é compará-la com outra.

Romantismo Realismo
Maior valorização da subjetividade Maior problematização da idealização romântica
Idealização frequente Análise crítica das relações sociais e psicológicas
Heróis e amores idealizados podem ganhar destaque Personagens frequentemente apresentam contradições mais evidentes
Sentimento e imaginação Observação crítica e ironia podem ganhar maior importância

Esses contrastes são didáticos e não devem ser transformados em regras absolutas. Um escritor romântico também pode criticar a sociedade, assim como um realista não precisa eliminar emoções de seus personagens.

Como o Romantismo aparece em vestibulares?

As questões podem cobrar reconhecimento de características, análise de poemas, associação entre autores e obras ou comparação com outras escolas literárias.

1. Nacionalismo

Modelo de questão

A valorização da paisagem brasileira e a exaltação da pátria são características particularmente relacionadas:

  1. ao Naturalismo;
  2. ao nacionalismo romântico;
  3. ao Parnasianismo;
  4. ao Concretismo.

Resposta: B.

2. Indianismo

Modelo de questão

No Romantismo brasileiro, a construção do indígena como personagem heroico está ligada principalmente:

  1. à busca de um símbolo nacional;
  2. ao determinismo biológico;
  3. ao cientificismo naturalista;
  4. à impessoalidade parnasiana.

Resposta: A.

3. Segunda geração

Modelo de questão

Melancolia, tédio, idealização amorosa e presença recorrente da morte caracterizam principalmente:

  1. a primeira geração;
  2. a segunda geração romântica;
  3. o Arcadismo;
  4. o Naturalismo.

Resposta: B.

4. Terceira geração

Modelo de questão

A poesia abolicionista e social de Castro Alves está associada:

  1. ao Condoreirismo;
  2. ao Simbolismo;
  3. ao Quinhentismo;
  4. ao Barroco.

Resposta: A.

5. Prosa indianista

Modelo de questão

Qual obra pertence à prosa indianista brasileira?

  1. O Cortiço;
  2. Memórias Póstumas de Brás Cubas;
  3. Iracema;
  4. Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Resposta: C) Iracema.

Como encontrar padrões e não se confundir?

Em vez de memorizar dezenas de características desconectadas, procure identificar o centro de interesse do texto.

  1. Se o centro é a pátria, pense na 1ª geração.
    Brasil, natureza, indígena, nacionalismo e saudade da terra são pistas fortes.
  2. Se o centro é o sofrimento do “eu”, pense na 2ª.
    Morte, solidão, tédio, sonho, pessimismo e amor impossível apontam para o ultrarromantismo.
  3. Se o centro é a liberdade social, pense na 3ª.
    Escravidão, denúncia, abolicionismo e tom de discurso público lembram Castro Alves.
  4. Procure idealizações.
    Pátria perfeita, natureza exuberante, herói indígena ou amor absoluto são pistas importantes.
  5. Observe a oposição entre razão e sentimento.
    Se a alternativa insiste em cientificismo e objetividade como fundamento principal, provavelmente está afastando-se da estética romântica.
  6. Não classifique apenas por uma palavra.
    “Pessimismo”, por exemplo, pode ser romântico, mas não resume todas as gerações.
  7. Associe autores a núcleos.
    Gonçalves Dias → nacionalismo/indianismo; Álvares de Azevedo → ultrarromantismo; Castro Alves → poesia social.
  8. Na prosa, lembre-se de José de Alencar.
    O Guarani e Iracema são referências fundamentais do indianismo.

O mapa mental mais simples

1ª GERAÇÃO
BRASIL

NACIONALISMO + NATUREZA + INDÍGENA

2ª GERAÇÃO
EU

MELANCOLIA + AMOR + MORTE

3ª GERAÇÃO
SOCIEDADE

LIBERDADE + ABOLICIONISMO + DENÚNCIA

Palavras-chave para provas

Palavra ou ideia Associe primeiro a…
1836 Início convencional do Romantismo brasileiro
Suspiros poéticos e saudades Gonçalves de Magalhães
Canção do Exílio Gonçalves Dias
Indianismo Nacionalismo romântico
I-Juca-Pirama Gonçalves Dias
Iracema / O Guarani José de Alencar
Mal do século Segunda geração
Álvares de Azevedo Ultrarromantismo
Condoreirismo Terceira geração
Navio Negreiro Castro Alves
Abolicionismo Poesia social / terceira geração

Exemplos para não se confundir

Exemplo 1 — floresta + indígena heroico

Se uma narrativa apresenta uma paisagem brasileira grandiosa e um indígena construído como personagem corajoso e nobre, pense primeiro em:

Indianismo romântico.

Exemplo 2 — morte + amor impossível

Se o poema insiste em solidão, tédio, morte e uma figura amorosa distante ou inalcançável:

Segunda geração / ultrarromantismo.

Exemplo 3 — escravidão + liberdade

Se o poema assume tom público, denuncia a escravidão e reivindica liberdade:

Terceira geração / Castro Alves.

Exemplo 4 — razão + determinismo + ciência

Se a questão enfatiza objetividade, determinismo, hereditariedade e explicação científica do comportamento:

Desconfie do Romantismo e considere o Naturalismo.

Exemplo 5 — perfeição formal e impessoalidade

Se o enunciado destaca trabalho formal rigoroso, objetividade poética e valorização da forma:

Pode estar apontando para o Parnasianismo.

Exercícios para revisão

  1. Qual obra é considerada marco inicial do Romantismo brasileiro?
  2. Em que ano ela foi publicada?
  3. Quem escreveu Canção do Exílio?
  4. O que significa indianismo?
  5. Por que o indígena romântico é considerado idealizado?
  6. Qual geração está mais associada ao nacionalismo?
  7. Qual geração está relacionada ao chamado “mal do século”?
  8. Qual poeta é referência do ultrarromantismo?
  9. Qual geração apresenta forte poesia social?
  10. Quem escreveu O Navio Negreiro?
  11. Quem escreveu Iracema?
  12. Por que a natureza é importante no Romantismo brasileiro?
  13. A crítica social está completamente ausente do Romantismo?
  14. Todo texto romântico é indianista?
Ver respostas comentadas

1. Suspiros poéticos e saudades.

2. 1836.

3. Gonçalves Dias.

4. É a vertente romântica que utiliza personagens e temas indígenas, frequentemente relacionados à construção simbólica da nacionalidade.

5. Porque os personagens frequentemente recebem atributos heroicos e simbólicos, não constituindo simples reprodução documental dos povos indígenas reais.

6. Primeira geração.

7. Segunda geração.

8. Álvares de Azevedo.

9. Terceira geração.

10. Castro Alves.

11. José de Alencar.

12. Porque pode funcionar como símbolo da pátria, espaço idealizado e extensão dos sentimentos das personagens ou do eu lírico.

13. Não. A poesia social aparece com grande força na terceira geração, especialmente em Castro Alves.

14. Não. O indianismo é uma vertente importante, mas o Romantismo brasileiro possui muitos outros temas e formas.

Perguntas frequentes

Qual é a principal característica do Romantismo brasileiro?

Não existe uma única característica capaz de definir toda a produção romântica. Entretanto, em questões escolares, nacionalismo, idealização da natureza e indianismo são elementos fundamentais da vertente nacionalista brasileira.

Quando começou o Romantismo no Brasil?

O marco convencional é 1836, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães.

Quem foi o principal poeta indianista?

Gonçalves Dias é uma das principais referências do indianismo na poesia brasileira.

Quem representou o indianismo na prosa?

José de Alencar, especialmente em romances como O Guarani e Iracema.

Quem pertence à segunda geração romântica?

Um dos nomes mais representativos é Álvares de Azevedo, cuja obra está associada ao ultrarromantismo e à influência byroniana.

Quem pertence à terceira geração?

Castro Alves é sua principal referência escolar, especialmente pela poesia social e abolicionista.

Romantismo é apenas amor e sentimentalismo?

Não. O movimento envolve também nacionalismo, identidade, história, natureza, individualismo, religião, questões sociais e diferentes projetos de representação cultural.

A alternativa sobre crítica social e pessimismo está totalmente errada?

Não exatamente. O pessimismo aparece com força no ultrarromantismo, enquanto a crítica social se destaca na terceira geração. O problema é apresentar essa combinação como a característica geral que melhor identifica o Romantismo brasileiro.

Referências

  1. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. A poesia romântica. Dossiê da Biblioteca Nacional Digital sobre o desenvolvimento da poesia romântica brasileira, seus autores e tendências. Disponível em: Biblioteca Nacional Digital .
  2. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Gonçalves de Magalhães. Biografia e informações sobre Suspiros poéticos e saudades, de 1836, obra considerada iniciadora do Romantismo brasileiro. Disponível em: Biblioteca Nacional Digital .
  3. GONÇALVES DE MAGALHÃES, Domingos José. Discurso sobre a história da literatura do Brasil. Paris, 1836. Documento histórico relacionado ao projeto romântico de construção de uma literatura brasileira. Disponível em: Biblioteca Digital Luso-Brasileira .
  4. CAPES — EDUCAPES. Romantismo e a 1ª geração. Material didático sobre contexto histórico, nacionalismo, indianismo, Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias. Disponível em: EduCAPES .
  5. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Coleções da Seção de Manuscritos — Gonçalves Dias. Informações biográficas e documentais sobre o poeta, incluindo sua produção indianista. Disponível em: Fundação Biblioteca Nacional .
  6. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Literatura — Álvares de Azevedo. Material sobre o poeta, a segunda geração do Romantismo, Byronismo e “mal do século”. Disponível em: Biblioteca Nacional Digital .
  7. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Castro Alves. Biografia e análise da vertente social e humanitária de sua poesia, incluindo sua atuação literária relacionada à causa abolicionista. Disponível em: Biblioteca Nacional Digital .
  8. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. José de Alencar. Material biográfico sobre o romancista e sua formação literária no contexto do Romantismo brasileiro. Disponível em: Biblioteca Nacional Digital .
  9. FERREIRA, Cristina; LENZ, Thiago. O Guarani (1857), um romance entre o indianismo e a etnografia. Organon, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estudo sobre a figuração indígena, a natureza e a construção de uma retórica nacional em José de Alencar. Disponível em: FUNARTE Digital .
  10. CAMILO, Vagner. O poeta Gonçalves Dias e o indianismo no Brasil. Universidade de São Paulo. Estudo sobre a relação entre indianismo, literatura e construção da nacionalidade no Romantismo brasileiro.
  11. CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos. Obra fundamental para compreender a formação do sistema literário brasileiro e o papel do Romantismo na constituição de uma literatura nacional.
  12. BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix. Referência para o estudo histórico e crítico das escolas literárias brasileiras.
  13. CANDIDO, Antonio; CASTELLO, J. Aderaldo. Presença da Literatura Brasileira: das origens ao Romantismo. Obra de referência para autores, gêneros e tendências da literatura brasileira oitocentista.

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